Você provavelmente já se perguntou o que é preciso para alcançar uma posição de liderança em uma grande empresa. Afinal, todos queremos ser bem-sucedidos e bem remunerados pelo trabalho que desempenhamos. Por isso, com o intuito de desvendar o caminho que um profissional deve percorrer para chegar lá, conversamos com Angela Rodrigues, gerente de Marketing de Relacionamento (CRM – Customer Relationship Management) na Cielo, uma das maiores empresas de máquinas de cartão do Brasil. Na visão dela, para se tornar um líder, é preciso, em primeiro lugar, entender os motivos que fazem você querer isto. “Eu, por exemplo, sonhava em ser médica. Infelizmente, não fui, mas ajudar pessoas, de alguma forma, me aproxima do meu maior sonho!”

O poder da garra

Além disso, Angela ressalta a importância de não se conformar com a mediocridade. “É necessário querer não ser médio ou mais ou menos. Dentro de mim existe uma força que faz com que, todos os dias, eu acorde e queira ser o melhor que eu puder”.

Confira a entrevista com a profissional e aproveite as dicas que, certamente, irão te ajudar a trilhar seu próprio caminho para o sucesso.

Qual o salário de um gerente de Marketing de Relacionamento (CRM)? Esse profissional ganha em torno de R$ 13.297 por mês. (Fonte: LoveMondays)

PC: O que faz um gerente de Marketing de Relacionamento no dia a dia?

Um gerente de CRM é responsável pela idealização e implantação de estratégias de relacionamento com clientes nos canais de uma empresa. Assim, ele é quem garante que uma comunicação – seja para atrair um novo cliente, fidelizar ou manter um cliente que não quer mais se relacionar com a empresa – aconteça nos mais diversos canais de uma empresa.

Por isso, Customer Relationship Management ou Gestão de Relacionamento com o Cliente é peça chave no mundo conectado e de tantas pessoas que se comunicam com as empresas nos mais diversos canais e, principalmente, nos canais digitais. Sem uma estratégia correta ou execução desta forma de se relacionar, muitas empresas deixam de lucrar ou de garantir uma estabilidade no relacionamento com seu ativo mais precioso que é o cliente!

PC: O que a levou a migrar da área de finanças para o marketing digital?

Não considero exatamente uma migração, pois durante minha experiência em banco, o foco sempre foi, de alguma forma, o relacionamento com o cliente por meio de campanhas e ofertas. O Marketing Digital veio como um complemento, extremamente necessário para os consumidores modernos. Então, apesar de não estar mais em banco hoje, o fato é que a indústria financeira, no geral, precisa muito de uma estratégia de relacionamento, que passa por Marketing Digital, daí a adição desse MBA em minha carreira.

PC: Como, então, a sua formação em finanças contribui para a sua atuação com Marketing de Relacionamento hoje?

Considero minha formação acadêmica, assim como meu tempo de experiência em banco, como uma grande escola. Por meio dela, pude vivenciar, como colaboradora e também como usuária, as necessidades de um cliente, que, às vezes, está num super momento legal de sua vida financeira, mas, às vezes, precisa de alguma instituição que o apoie, ou não o atrapalhe, a retomar sua vida. E se colocar do lado do cliente, ouvir sua voz, compreender que ele é o melhor ativo de qualquer empresa, me trouxe para um viés de sempre ter o cliente em mente, o que acredito ser um excelente caminho para minha área de atuação!

PC: O que é preciso (em termos de características e habilidades), então, para se destacar em um mercado agressivo como o que você atua?

Costumo dizer que habilidades técnicas você treina, mas competências comportamentais, como comprometimento, proatividade e senso crítico, são difíceis de forjar. Acredito muito que, para se destacar, primeiramente, é necessário querer não ser médio ou mais ou menos. Dentro de mim existe uma força que faz com que, todos os dias, eu acorde e queira ser o melhor que eu puder. E, claro, às vezes não consigo, em muitos dias volto entristecida ou frustrada… mas não dura para sempre. Me refaço todos os dias com a expectativa daquilo que está em meu alcance para gerar outros resultados… Afinal, caminhos iguais não te levarão a destinos diferentes. E, num mercado competitivo, essa garra, vontade e coragem são absolutamente necessários para se destacar. Tem dias em que dá medo? Você acha que não vai conseguir? Claro que tem… Mas no dia em que dá medo, a gente vai com medo mesmo!

PC: Até que ponto a velocidade com que as transformações tecnológicas se apresentam é uma vantagem para o profissional dessa área e a partir de que ponto pode se tornar uma barreira?

Já houve momentos em que pirei com esse negócio de ter que saber tudo, de acompanhar as novas tecnologias, de surtar cada vez que percebia que estava ficando para trás porque não li uma matéria ou um jornal. Mas uma das coisas mais legais que aprendemos com o tempo e com a maturidade profissional é que você não precisa saber tudo, só precisa priorizar aquilo que é mais importante, e se apoiar em suas habilidades para passar por momentos em que as transformações tecnológicas acontecem tão rápido que você nem enxerga!

Para mim, a questão é equilíbrio! A tecnologia é incrível quando bem usada (em âmbitos profissionais e também pessoais), mas pode ser um pesadelo se te fizer refém.

PC: Quantas pessoas trabalham em sua equipe hoje? Quais são os principais desafios de gerenciar uma equipe grande?

Hoje minha equipe conta com aproximadamente 40 pessoas, entre coordenadores, especialistas, analistas e estagiários. Só a quantidade de pessoas já é um desafio, até porque eu amo pessoas, então gostaria de poder estar mais perto de cada um todos os dias, para aprender e também compartilhar, mas, claro, isso não é possível. Mais uma vez, a maturidade profissional e, claro, de idade também (risos), nos traz o benefício do equilíbrio.

Nunca vamos conseguir agradar a todos ou ser 100% o tempo inteiro… Afinal, somos todos seres humanos, dotados de emoções e valores que muitas vezes divergem. Então, o maior desafio é encontrar esse equilíbrio entre ser um gestor que puxe o time para trazer os resultados, mas que consiga contribuir, de fato, com o desenvolvimento de seus liderados.

PC: Como você lida com esse desafio no dia a dia?

Acho que nasci para ser gestora, porque amo os desafios de desenvolver pessoas, retomar o brilho nos olhos daqueles em que o brilho se apagou e, mais do que isso, amo dividir conhecimento. Os desafios ficam menores e mais fáceis de ser contornados quando você ama o que faz!

Angela e sua equipe, durante evento da Cielo

PC: Que conselhos você daria para alguém que é hoje um analista, por exemplo, e almeja um cargo de liderança na empresa em que atua?

Em primeiro lugar, faça o seu melhor sempre! Não se preocupe exclusivamente se a empresa está, o tempo todo, dando aquilo que você acha que merece, porque se você deixar a empresa em débito com você, ela, certamente, vai te “pagar”.

Em segundo lugar e mais importante é: tenha um propósito! Afinal, saber o porquê de querer ser um gestor é importante na determinação desse caminho. Eu, por exemplo, sempre quis ajudar os outros. Quando era mais jovem, sonhava em ser médica. Infelizmente, não fui médica, mas ajudar pessoas, de alguma forma, me aproxima do meu maior sonho! E, por isso, ser gestor é uma recompensa, pela qual zelo muito! Ah, e para os críticos de plantão, sim, nós erramos e muito! Mas posso garantir… errei querendo acertar… e o erro constrói um eu melhor dia após dia.

PC: O que é sucesso na sua visão?

Fazer o que eu amo me traz felicidade, que é sinônimo de sucesso, em minha visão! Gratidão retroalimenta esse ciclo virtuoso, a que eu chamo carinhosamente de a “Roda do Amor”. Afinal, a base de tudo é o amor e, através dele, alcanço a felicidade.