Esta discussão não é nova e também parece que não vai acabar tão cedo: afinal, é possível equilibrar maternidade e carreira? A resposta não é nem sim, nem não. Mas uma conversa sobre as dificuldades que toda mulher que decide ter filhos enfrenta ao tentar se manter ou voltar para o mercado de trabalho.

Danielle Lima, coach de carreira, explica que vê duas grandes questões. A primeira é a culpa que as mães sentem ao deixar os pequenos em casa para passar o dia no trabalho. “Antes de ser mãe eu não entendia muito bem isso, achava que era uma coisa simples e natural. Mas depois que me tornei mãe entendi o peso dessa culpa”, explica ela.

O segundo desafio é totalmente ligado com o primeiro. Mas pode ser visto como algo separado porque engloba a dificuldade em equilibrar maternidade e carreira. “E digo que o ponto um e o dois se convergem, porque trabalhar o sentimento de culpa faz parte do equilíbrio desses papéis”, continua a também consultora de RH.

Pois é, talvez o grande mistério seja encontrar a estabilidade entre o lado profissional e pessoal – e o melhor caminho é buscar o autoconhecimento. “Entender qual o seu momento, quais são suas prioridades, que tipo de vida quero ter daqui para frente, são essenciais para poder fazer escolhas que possibilitem você a lidar melhor com a culpa e encontrar estratégias para negociar e controlar a nova rotina”, diz Danielle.

Como balancear maternidade e carreira?

Juliana Brêtas, CEO do Superela, mora fora do país, em Singapura, e trabalha de casa. Ser dona da própria empresa e ter o escritório na sala facilita o processo de adaptação e retomada da carreira após o parto. Mas isso não significa que, ela também, precisou buscar uma forma de achar esse equilíbrio.

Criando a pequena Alice, de 10 meses, junto com marido, ela diz que contratou ajuda para cuidar da bebê. Essa decisão não foi só porque não tem família por perto, como para ajudar no dia a dia da casa.

“Uma coisa que eu acabo fazendo, que ajuda muito a conseguir trabalhar bem, é reservar o horário de 20hs às 23hs para trabalhar. Essa hora ela já foi para a cama. Aí eu consigo terminar as coisas que ao longo do dia ficaram pendentes”, diz a empreendedora.

Para Juliana, esse não necessariamente é o formato ideal. Mas foi a maneira que ela encontrou de manter a rotina equilibrada e balancear o trabalho com a maternidade.

Busque Facilitadores para manter sua maternidade e carreira

Aliás, Danielle fala também sobre a importância de buscar facilitadores para tornar o dia a dia mais fluído e sem complicações. Ainda mais quando você tem bebês de colo para cuidar.

“Quando voltei de licença maternidade, trabalhava em uma empresa que permitia os colaboradores terem uma jornada flexível. Então negociei um horário alternativo para conseguir fugir do trânsito e ficar mais tempo com a pequena”, relata. “Infelizmente, nem todas as empresas e gestores conseguem fazer esse tipo de negociação. Nestes casos, ter claro quais são suas prioridades no momento te ajuda a encontrar a melhor estratégia”.

A coach também explica que, se você perceber que o ambiente profissional em que você está não é compatível com a sua nova realidade, nada impede que você busque alternativas. Ela conhece histórias de mulheres que mudaram para um lugar mais próximo do trabalho. Outras que encontraram uma escola perto do emprego. Algumas que decidiram empreender, e outras ainda que preferiram procurar por um trabalho mais flexível.

A verdade é que não existe uma receita de bolo. Por isso, o autoconhecimento é tão essencial nesse momento. Reveja as suas prioridades, defina o que é importante para você e vá em busca do que é mais confortável.

Aqui, sim, a resposta é óbvia: é claro! A maternidade é uma parte da sua vida, uma fatia importante, óbvio, mas que não define a sua identidade, quem você é como pessoa. Por isso, é mais do que permitido – é indicado! – que você pense no que quer fazer em termos profissionais para garantir o conforto para você para a sua família.

Ser mãe e investir na carreira, pode?

É importante ressaltar que a maternidade não é uma tarefa que você precisa (ou deve!) exercer sozinha. Compartilhar a responsabilidade da criação igualmente com o pai da criança é o primeiro passo para que você não fique sobrecarregada e caia no mito da “jornada dupla”, em que a mulher trabalha duplamente para manter o emprego e criar os filhos.

A partir daí, vem a busca por pontos de apoio, que Danielle considera aquelas instituições ou pessoas que vão ajudar você nessa tarefa enquanto você e o pai do bebê estão focados nos respectivos trabalhos. Esse suporte pode ser a creche, a escola, alguém da família ou um profissional capacitado (como uma babá).

“Ter um ponto de apoio te tranquiliza e te dá tempo de olhar para outros pilares da sua vida. Embora a gente tenha, às vezes, certeza que somos a mulher maravilha e não precisamos de ninguém, não somos e nunca seremos!”, diz a profissional.

Fora isso, um detalhe importante é: estabeleça uma rotina. Mas tenha jogo de cintura. Crianças precisam de um dia a dia regrado para crescerem com uma sensação de estabilidade. E você vai se utilizar muito dessa rotina para aproveitar os momentos que tem no trabalho ou focar na carreira.

Ou seja, organização e planejamento é chave nesses momentos. E, por isso, compartilhar as tarefas e a rotina com o pai da criança é tão essencial. Contar com uma rede de apoio firme também é importante, ainda mais quando surgem imprevistos.

Aproveite a jornada

Aliás, é aí que entra o jogo de cintura. Aprenda a negociar e ser flexível consigo mesma e com a própria rotina. Afinal, imprevistos acontecem. E a probabilidade de uma mamadeira atrasar ou o bebê ter uma cólica fora de hora são grandes.

Parece difícil, mas a verdade é que essa fase nova é maravilhosa e cheia de aprendizados que, inclusive, serão muito úteis na sua carreira. Acredite, ser mãe é uma tarefa e tanto. Mas é uma parte da sua vida que vai complementar e completar as demais. Acima de tudo, lembre-se de aproveitar a jornada. Veja cada momento como um novo ensinamento e algo que você pode aplicar outra áreas da vida.