Se você acompanha o noticiário, talvez já saiba o que é síndrome de burnout. Mais do que um quadro de estresse ou de crises de ansiedade, essa condição é um reflexo direto da nossa relação com o trabalho . E o quanto ela precisa mudar.

Afinal, o que é síndrome de burnout?

Segundo a psicoterapeuta Monica Machado, “bournout é um estado de esgotamento físico e mental. É decorrente de uma vida profissional desgastante e sobrecarregada”.

Ou seja, ela é resultado de uma rotina de trabalho tão pesada que você se sente mentalmente incapaz de executar as tarefas do dia a dia. Além disso, você sente um cansaço físico que, também, não permite que você continue no mesmo ritmo.

Alguns dos sintomas mais comuns dessa síndrome são:

  • Irritabilidade;
  • Falta de foco;
  • Dores de cabeça;
  • Memória falha;
  • Fadiga constante.

A gerente de RH Luciana Felipovitch percebeu que algo estava errado quando alguns desses sintomas começaram a ser frequentes. “Eu comecei a sentir uma exaustão física e mental muito grande. Passei a não ter vontade de fazer coisas que me davam prazer e a ter um sentimento de incompetência. Tinha impressão que eu trabalhava muito, me dedicava e me esforçava, mas nada era bom o suficiente”.

O principal ponto de atenção é quando o profissional sente um cansaço tão grande que gera um medo antecipado de que não será capaz de cumprir com as suas funções no trabalho.

“Eu sempre fui muito positiva, alegre, otimista, confiava nas pessoas e naquilo que elas poderiam oferecer. Sempre tentando enxergar o melhor lado de tudo. Durante o burnout tudo isso se tornou o oposto. Me tornei negativa e pessimista. Não tinha alegria de trabalhar e passei a ter sensações físicas como tremores, dores de cabeças e apagões que me fizeram, inclusive, cair e me lesionar”, continua Luciana.

O que causa a síndrome de burnout?

Uma síndrome como essas não aparece de um dia para o outro. Na verdade, ela é o resultado de uma cultura de trabalho focada na performance e não no bem-estar dos seus funcionários. E isso, a longo prazo, gera consequências graves.

Monica explica que a competitividade do mundo corporativo, somado a um mundo digital cada vez mais exigente, aumentou o nível de estresse. Com isso, afetou a capacidade intelectual, emocional e psíquica dos indivíduos.

“Não existe separação da vida pessoal e profissional. As pessoas não conseguem mais saber o momento do exercício profissional e da sua vida pessoal. A noção do tempo está imersa nas atitudes e pensamentos, sem noção o que é do sujeito e o que é do corporativo”, diz.

E o esgotamento profissional é mais sério do que se imagina. Segundo uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA-BR), 32% da população brasileira com essa condição. Sem distinção entre cargos, podendo afetar de CEOs a funcionários de base se uma empresa.

Já deu para perceber que é, sim, no trabalho que essa síndrome tem a sua causa base. A pressão por uma performance sempre perfeita, a busca por resultados cada vez melhores e mais altos e ambientes de trabalho mais competitivos e, muitas vezes, com equipes reduzidas, leva os funcionários a trabalharem além do que aguentam, gerando consequências seríssimas para a sua saúde.

Como evitar a síndrome de burnout?

Com isso, diante de um quadro que parece bastante pessimista, como evitar chegar em um ponto de completo esgotamento físico e mental gerado pelo trabalho? Segundo Monica, a palavra-chave é prevenção.

“[Para evitar o burnout é preciso] a prevenção e a permanente atenção aos excessos dedicados exclusivamente no trabalho. Ter como hábitos permanentes atividades físicas, lazer e outras possibilidades que possam fazer com que a rotina profissional não seja a única razão para viver”, explica ela.

Para Luciana, a lição veio. E, ela entende a necessidade de manter uma rotina equilibrada, com dedicação ao trabalho. Ao mesmo tempo, prioriza momentos de descanso longe da profissão e ao lado das pessoas que gosta:

“Hoje sei que o trabalho faz parte da minha vida, mas não é minha vida!  Atualmente, ele é uma das minhas tantas prioridades, mas não a única”, diz.

Burnout no trabalho: como lidar?

Primeiramente, é importante frisar que, se você começou a perceber os sintomas de um estresse profissional além da conta, o primeiro passo é buscar ajuda. Por isso, o acompanhamento médico e psicológico é essencial para reverter os sintomas e cuidar para a síndrome não avance.

Além disso, outro ponto é promover o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Sobretudo, do lado do profissional, Monica reitera a importância de colocar limites. Com isso, ela estabelece a hora de começar e terminar de trabalhar. Igualmente, estipular quando descansar, quando abrir exceções para o trabalho e tentar, ao máximo, gerar um equilíbrio saudável no dia a dia.

Além disso, olhar momentos de estresse com seriedade também é essencial. Vale a pena, então, checar consigo mesmo se esse nível de esforço físico e mental é realmente necessário para o que a tarefa pede. E, se é possível, recorrer à colegas de trabalho e chefes para diluir um pouco a carga de trabalho.

E, do lado das empresas, começar a levar a sério o bem-estar dos seus funcionários é imprescindível . Ainda mais agora, quando as pessoas parecem buscar um estilo de vida mais tranquilo e equilibrado.

No entanto, Luciana explica que, no auge da síndrome, não viu abertura para o diálogo sobre o assunto na empresa em que trabalhava. Com isso, ela se sentia isolada e “errada” pelos seus sentimentos, e não teve apoio durante o tratamento.

“As empresas têm que entender que a saúde emocional e mental deve ser sempre promovida. Que doenças emocionais não são frescuras e que os colaboradores precisam de apoio em momentos de maior fragilidade sem sofrerem discriminação. O mercado de trabalho não pode mais ser indiferente a esse tipo de situação. Canais de comunicação interna devem ser abertos de maneira correta. Assim, permitiriam o diálogo entre empresa e colaborador sem medo. O mercado de trabalho precisa entender que promover a saúde emocional do colaborador é investimento e não gasto”, completa ela.

O passo inicial, portanto, é ser mais atento ao que você sente no trabalho, entender o que é a síndrome de burnout, e procurar soluções. Com ajuda profissional ou não, o seu foco deve estar no conforto e bem-estar, sempre.