Muito mais que assinar laudos liberando a contratação ou a demissão de funcionários, o médico do trabalho é o profissional responsável por cuidar da saúde das pessoas no ambiente de trabalho. “De forma geral, o médico desta área deve contribuir para diminuir os riscos ocupacionais do trabalhador”, explica Paulo Akahoshi, que atua na área há 10 anos. Hoje, Paulo atende no Hospital Santa Marcelina e presta serviços para o Grupo Previne.

Mas, afinal, o que faz um médico do trabalho no dia a dia?

O papel desse profissional é assegurar que os funcionários de uma organização tenham uma relação saudável com o trabalho. Dessa forma, o médico do trabalho acompanha a saúde do colaborador desde o processo de contratação até o momento de sua demissão. Primeiramente, ele irá avaliar as condições físicas do profissional – aferindo a pressão arterial e a frequência cardíaca, por exemplo – para que se conclua sobre a aptidão dele à posição almejada. É também papel dele realizar avaliações periódicas com o propósito de garantir que as atividades e as condições de trabalho não afetem negativamente a saúde dos profissionais. Por fim, é o médico do trabalho que fará o exame demissional, atestando o estado de saúde do funcionário ao deixar a empresa.

Para Paulo, o médico que opta por essa área de especialização deve ter uma visão ampla. “Por ser uma área com foco preventivo, deve-se saber analisar as necessidades do trabalhador e da empresa, com objetivo de alcançar um ambiente ideal a todos”.

Medicina ocupacional: um mercado promissor

O médico do trabalho é um elemento fundamental nas empresas e, mesmo em períodos de crise, ele é acionado. Afinal, quando um funcionário é demitido, ele deve ser examinado por um time especializado.

Na opinião de Paulo, esse é um mercado promissor. “É um campo amplo e que ainda tem muito a evoluir”, diz ele. De fato, esse profissional pode atuar tanto dentro das organizações quanto em clínicas especializadas, consultorias e empresas de perícia médica.

Além disso, de acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil, de 2018, existem 15.895 médicos do trabalho no país. Esse número tem crescido nos últimos anos, graças à preocupação cada vez maior das empresas com o bem-estar dos funcionários.

Sem dúvida os profissionais com essa especialização fazem diferença nos resultados das organizações. “Quando se proporciona uma saúde ocupacional melhor, consequentemente a produtividade melhora. Além de diminuir custos com afastamentos por motivos de doenças ocupacionais e acidentes”, ressalta Paulo Akahoshi.

O médico do trabalho está de jaleco, de braços cruzados e está com um estetoscópio pendurado no pescoço
Paulo Akahoshi: “Acho interessante cuidar da saúde do trabalhador, diminuir seus riscos”

O que é preciso para se tornar um médico do trabalho?

Embora não seja obrigatório para o exercício da medicina ocupacional, o título de especialista é uma importante certificação. Para obtê-lo é preciso, antes de tudo, ter concluído a faculdade de medicina.

Atualmente, há duas formas de obter o título: a primeira é por meio de residência médica de dois anos reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). A segunda é a realização de uma pós-graduação na área. Os médicos devem, ainda, ser aprovados na prova de Título de Especialista em Medicina do Trabalho, realizada pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

Quanto ganha um médico do trabalho? O salário médio desse profissional é de R$ 11 mil por mês (Fonte: Glassdoor)