Seguir carreira militar é o sonho de muitos jovens, que buscam a estabilidade do emprego público e oportunidades de crescimento. A área é ampla e engloba o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e a Polícia Militar – os bombeiros se enquadram nessa última categoria. É possível iniciar como soldado e, conforme o desempenho, galgar os degraus hierárquicos e chegar a general. Mas você sabe por onde começar? Está preparado para os desafios que a profissão oferece?

Para Janine Rego, cabo da Polícia Militar, o primeiro desafio foi a concorrência no concurso público para ingressar na corporação. “Foram cerca de 20.000 inscritas para apenas 350 vagas”, relembra. Depois disso, passou por etapas importantes, como o teste de aptidão física, que incluiu provas de resistência e velocidade. Diferentemente de outras profissões, o condicionamento físico é primordial no dia a dia dos militares, para desempenharem suas funções com eficiência.

Nesta entrevista, Janine fala sobre como é ser mulher nessa profissão, as principais características que um bom policial deve ter e sobre o mercado de trabalho. Além disso, ela conta sua receita de sucesso e realização, já que hoje consegue equilibrar vida pessoal e profissional com tranquilidade. “Repito sempre aos meus colegas que sou uma cabo feliz.”

Quanto ganha um policial militar? A média salarial desse profissional é de R$ 4058 (Fonte: Vagas)

PC: Por que você decidiu seguir carreira militar?

Desde criança admirava as carreiras militares. Assistia a filmes de ação, no estilo Rambo, e me imaginava ali, e sempre fui apoiada, principalmente por meus pais, para ir em busca desse sonho. Antes da PM, cheguei a prestar concurso para a Aeronáutica, mas não passei. Mas fiz cursos preparatórios que aumentaram ainda mais meu desejo de ser militar.

PC: Quais foram os principais desafios que você enfrentou para se tornar policial?

Primeiramente, a concorrência no concurso público, que é muito grande. No meu caso, foram cerca de 20.000 inscrições para apenas 350 vagas. Depois, vieram as outras fases, como o teste físico, que não era meu forte, mas a cada fase vencida firmava a certeza de que era o que eu queria. Depois disso, veio um ano de escola em Pirituba. Fiquei longe da família, passei por muitos estudos e testes, pois nesta fase, de acordo com sua nota classificatória, determina-se onde você vai trabalhar, e eu queria vir para perto de casa. E consegui.

PC: Você acredita que houve mais obstáculos por você ser mulher?

Para ingresso, não, pois o concurso não distingue, o que vale é a classificação. Mas durante a carreira é que você tem que provar a sua capacidade o tempo todo. Particularmente, sinto até um protecionismo excessivo por parte de meus colegas e tenho que demonstrar que não sou tão frágil como eles pensam. Quando você trabalha em uma equipe bem alinhada, passa a ser sua segunda família, pois muitas vezes passamos mais tempo juntos do que em casa.

PC: A carreira militar tem sido mais valorizada nos últimos anos? Como você enxerga o futuro da profissão?

Sim, mas também percebo o aumento na procura por causa de um aumento no desemprego e vejo que alguns buscam a estabilidade do funcionalismo público. Para o futuro, acredito que teremos muito mais pessoas qualificadas, com curso superior, apesar de ser exigido apenas o Ensino Médio. Ou seja, o nível de instrução está cada vez mais elevado. Isso é positivo quanto ao aperfeiçoamento, mas a experiência só a rua pode proporcionar.

Janine em serviço, ao lado do parceiro Judá, pastor-belga-malinois farejador

Janine em serviço, ao lado do parceiro Judá, pastor-belga-malinois farejador

PC: O dia a dia da profissão é perigoso? Como você e seus colegas se preparam para enfrentar o estresse do dia a dia?

Bem, eu costumo dizer que viver é perigoso (risos). Brincadeiras a parte, a PM paulista busca aprimorar as instruções para enfrentarmos diversos tipos de situações. Então, quando algum caso repercute na mídia, tentamos aprender, mesmo que seja com os erros para preservar a nossa vida. É claro que em uma situação de perigo, enquanto todos correm dele, nós vamos em sua direção, com o devido cuidado. Mas acredito que cada um cria meios de se apoiar, seja na família, na religião, enfim… O importante é não estar só.

PC: Que habilidades você acha que são fundamentais para qualquer pessoa que deseje seguir carreira militar?

O desejo ou o sonho é primordial. É importante ser uma pessoa ativa – não precisa ser nenhum medalhista olímpico, claro – além de ser psicologicamente centrado, capaz de tomar decisões em momentos críticos e de agir sob pressão.

PC: Que conselhos você daria para alguém que pensa em trilhar esse caminho?

Não desista de seu sonho! O receio nos faz deixar de viver grandes experiências. Se depois de ingressar na carreira militar, descobrir que não era como pensava, não é obrigatória a permanência eterna. Tente outra coisa.

PC: Você se considera uma profissional bem-sucedida? O que é sucesso para você?

Repito sempre aos meus colegas que sou uma cabo feliz. Poderia continuar ascendendo na carreira, mas hoje consigo conciliar família, trabalho e igreja, de forma a não ficar em falta com nenhum. Então, sim! Considero-me bem sucedida, pois cumpro muito bem com tudo o que me é atribuído.