Engana-se quem associa o fotógrafo ao artista – tirar fotos profissionais é desfocar o holofote de si e iluminar o outro. Fotografia: significado de uma carreira de muita atenção e prática.

É preciso ter humildade, bom relacionamento e saber lidar com clientes. Essa é a definição que o fotógrafo Wellington Nemeth traz após 17 anos de experiência na área. Especialista em fotos gastronômicas, ele enfatiza que o segredo está em “assistir, ver e observar” constantemente para aprimorar habilidades essenciais para conseguir uma boa foto.

A determinação e a sensibilidade, segundo Wellington, substituem os livros da faculdade. E ele tem razão: segundo pesquisas da revista FHOX, de 2014 a 2016, cerca de 30 instituições de ensinos formativo fecharam suas portas e deram espaço para cursos técnicos e a distância.  

E em um mercado concorrido – só o número de formandos já passou a casa do milhão – é preciso equilibrar a determinação com a sensibilidade.

PC: Como está o mercado para quem pensa em seguir a carreira de fotografia?

O mercado está bastante concorrido e a cada ano entram novos profissionais.

Com a crise que estamos vivendo, muita gente opta em ser autônomo nessa área. Hoje, existe mercado para todos os tipos de bolso e todos os tipos de clientes, e o preço cobrado por profissionais também é muito variado.

Quando comecei, usávamos foto de película e custava caro comprar filme e revelar depois. Com as câmeras digitais ficou mais fácil praticar fotografia, e mais barato também. Isso deixa o mercado mais acessível.

PC: E como se destacar na profissão de fotografia? O que significa o sucesso na fotografia?

O grande lance do sucesso está no relacionamento, principalmente para a carreira de fotografia.

Alguns anos atrás se falava muito em “bater bolsa”, que era apresentar o portfólio para conseguir uma oportunidade de trabalho, hoje isso não é o diferencial.

Eu não procuro trabalho, o meu telefone toca e eu sempre sou procurado por meio de indicações; me sinto privilegiado.

Mas isso só acontece com o tempo e com a construção de bons relacionamentos. Além disso, é importante lembrar que fotografia não é câmera, é cabeça.

É preciso entender do produto que você está fotografando, ter sensibilidade para tirar a melhor foto e para atender às expectativas do cliente, lembrando que o fotógrafo não é um artista, é um prestador de serviço, por isso, é preciso humildade.

E tudo isso não se ensina nas faculdades.

PC: O que significa conhecimento técnico na fotografia?

Tem que ser muito observador, observar tudo o tempo todo. Eu observo o enquadramento e a iluminação de filmes, observo fotos de bons profissionais e leio muito.

Ler livros técnicos de pessoas que são referências no mercado também é essencial. Nunca me formei, mas aprendi muito observando e praticando.

PC: Por que você escolheu a fotografia gastronômica?

Cursei publicidade, mas não me dediquei muito ao curso. Foi quando tive uma matéria de fotografia que eu decidi que era aquilo que eu queria fazer.

Minha primeira ideia era fotografar esportes, desde moleque eu sempre gostei de futebol e surfe.

Mas a única certeza que eu tinha na época, era que eu queria fotografar. Nessa época, eu era analista de receita na TAM, larguei o emprego e fui atrás do que me motivava.

Quando você decide trabalhar como fotógrafo, acaba se especializando em um assunto: eventos, moda, carro, produto, etc. Cair em gastronomia foi um acaso e me sinto muito abençoados por isso.

PC: E como é trabalhar com fotos gastronômicas?

Na década de 80, o Mauro Holanda, que é a referência nesse mercado de gastronomia, inovou o jeito de tirar esse tipo de foto.

Antigamente, tudo era feito em estúdio, então se levava a comida até lá e sempre faltava alguma coisa.

O Mauro resolveu fazer o contrário, levar o estúdio até o local da foto, e é isso que eu faço hoje.

Eu vou até o restaurante e ajudo a montar a mesa, escolher o tipo de prato a ser usado para tirar a foto, faço as perguntas certas e entendo exatamente o que o cliente quer.

Gasto mais tempo preparando a foto do que tirando as fotos. E eu adoro esse mercado. Adoro conhecer sobre pratos e bebidas, leio muito sobre rótulos, além de ser um apreciador de uma boa gastronomia.

PC: Como fotógrafo é melhor ser autônomo ou ter um contrato com uma empresa?

Eu faço os dois. Tenho um contrato com a revista Go Where e tenho meus trabalhos por fora.

Estar vinculado a uma revista é importante, pois ela serve como vitrine para o seu trabalho, te dá exposição, te ajuda a conhecer mais pessoas e a saber das novidades do mercado.

PC: Você destacou algumas vezes a humildade como essencial no dia a dia de um fotógrafo. Fotografia tem significado na humildade?

Isso é importante em qualquer profissão. Você cresce mais quando não se vislumbra e se esquece que está prestando um serviço e quando sabe ouvir pessoas que possuem mais experiência do que você.

No Brasil, a gente costuma “descartar” pessoas mais velhas e buscar só o que é o novo. Profissionais experientes têm muito o que nos ensinar.

No caso de fotografia, é importante ter humildade porque todos começam em cargos bem operacionais.

No meu caso, iniciei minha carreira como assistente e minha função era carregar e cuidar de equipamentos na época.

Aproveitei essa oportunidade para observar tudo o que o fotógrafo fazia, prestei atenção em todos os detalhes e técnicas e, quando sobrava um tempo, levava a minha câmera e já me arriscava em algumas fotos.

PC: Qual o significado de sucesso na fotografia para você?

Sucesso para mim é fazer o que eu gosto e ser reconhecido por isso. É viver daquilo que te agrada fazer, ter qualidade de vida, frequentar bons lugares e viajar. Fotografia tem um significado muito profundo para mim. Isso porque, é a carreira que escolhi para minha vida inteira.

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