Suas metas

Mais um ano se inicia e, com ele, os planos para mudar de vida começam a sair do papel.  Se você, como nós do PraCarreiras, fez uma longa lista de metas para alcançar em 2020, leia esse post até o final.

É muito comum fazermos um balanço do ano quando chegam os últimos dias de dezembro. E, depois de avaliar os saldos e débitos que ficaram para trás, nos animamos com a chegada de mais 365 dias novinhos em folha e desenhamos novos projetos para o início de janeiro. É o momento de se matricular na academia, começar a reeducação alimentar e dar aquele up no currículo para ir atrás do emprego dos sonhos. Mas por que será que, quase sempre, abandonamos nossos objetivos pelo caminho e não concretizamos nossas metas? “Primeiramente, a maioria das pessoas não sabe definir metas. Elas descrevem sonhos”, explica Vanessa Cioffi, consultora de carreira, analista psico-comportamental e neurocoach.

Então, vamos começar do princípio: o que é uma meta?

Nas palavras de Vanessa, “é algo que desejamos atrelado a um prazo. Se você disser que quer emagrecer, isso é apenas um objetivo. Muitas pessoas não estabelecem um prazo porque não querem se comprometer e, às vezes, não querem criar expectativas, porque acreditam que vão se frustrar”, esclarece Vanessa. 

Portanto, não basta apenas anotar as intenções em um papel, acreditando que em 2020 vamos acordar superdispostos, colocar tudo em prática e conquistar os resultados na primeira semana. É preciso sair da zona de conforto e isso exige coragem e esforço contínuo.

As metas e o cérebro

Muitas vezes, mudar significa lutar contra as próprias tendências, já que o nosso cérebro não é lá muito fã de novidades. Ele tende a buscar a economia de energia por um instinto primitivo de sobrevivência. Além disso, a repetição de hábitos enraizados nos dá a falsa sensação de segurança – e o cérebro adora essa sensação. “Quando criamos qualquer coisa nova, a primeira coisa que o nosso cérebro faz é resistir. Assim, a primeira reação é não querer fazer, porque exige um esforço para ir em direção ao desconhecido. E uma meta é uma novidade”, comenta a neurocoach.

Mas, como disse Albert Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Então, se você quer aprender um novo idioma, terminar um relacionamento que não vai bem ou mudar de emprego, por exemplo – e fazer com que o saldo de 2020 seja muito melhor que o de 2019 – é preciso ter atitudes diferentes das que você teve nos últimos doze meses. Por isso, traçamos algumas dicas com a ajuda da consultora de carreiras para te ajudar a seguir firme em direção às suas metas para o ano que começa.

Não cometa estes erros

Sabe aquela pergunta clássica de entrevista de emprego: “onde você pretende estar em cinco anos?”? Se você já refletiu honestamente sobre ela e sabe respondê-la, já está um passo a frente da maioria. Viver no piloto automático sem a menor ideia de onde se quer chegar pode ser fatal. Para Vanessa, esse é um dos principais motivos de existirem tantos profisisonais infelizes com suas carreiras. “Muitas pessoas deixam a vida conduzi-las, em vez de conduzirem a própria existência. E isso gera frustrações. Essas pessoas não decidiram o que queriam fazer. Simplesmente aceitaram qualquer oportunidade que apareceu, sem saber se estava alinhada aos princípios delas”.

Dessa forma, Vanessa elenca mais um erro que muitas pessoas cometem quando vão definir suas metas: não parar para refletir sobre os motivos, ações e problemas que teremos para conquistá-la. “As pessoas, geralmente, não pensam nos problemas que poderão enfrentar para atingir seus objetivos. E quando aparece o primeiro obstáculo, elas congelam”.

Mire e acerte: alcance suas metas em 2020

Defina prazos possíveis para seus objetivos: esse é o primeiro passo para criar uma meta de verdade, como explicou Vanessa. Mas seja realista para não desistir no meio do caminho: de nada adianta estipular um tempo que você não será capaz de cumprir. “Quando nós entendemos que uma meta é possível, que não vai ser um sacrifício tão grande, as chances de nos autossabotarmos são menores”.

Divida as metas em micrometas: se a sua meta é mudar de emprego, por exemplo, pense além e tente imaginar qual é o seu objetivo para o ano seguinte e para os próximos três e cinco anos. “Se pensar em uma meta para um ano parece difícil, fica muito mais fácil quebrando isso em micrometas. Por exemplo, se eu quero emagrecer dez quilos em um ano, divido essa meta por cada mês do ano. É preciso ir aos poucos, mudar pequenos hábitos. Então, em vez de comer chocolate sete vezes por semana, como três vezes por semana”, ela recomenda.

Colocando em prática

Crie um painel com as suas metas: visualizar o objeto de desejo cria um vínculo maior entre o seu cérebro e o compromisso de obtê-lo. Por isso, tente criar um lembrete visual – com a meta, o prazo e como vai chegar lá. “Quando não criamos meios de nos conectar com os nossos objetivos, podemos nos esquecer deles facilmente. Nosso cérebro é muito visual, então, quando visualizamos o que queremos, ele entende aquilo como um compromisso”, explica Vanessa.

Abra mão das recompensas imediatas: ver uma série no Netflix parece muito mais atrativo do que estudar inglês? Talvez. Mas, lembre-se de que a concretização da sua meta no futuro depende do seu esforço no presente. “Quando traçamos uma meta, devemos ter a consciência de que teremos que abrir mão de algumas coisas para obter a recompensa futura, que é o nosso real desejo. A recompensa imediata não vai trazer o que desejamos, vai trazer apenas uma satisfação momentânea. E isso acaba”.

Tenha um plano de ação: crie uma estratégia para atingir cada uma de suas metas, pensando em cada passo necessário, no tempo que precisará para executá-los e passar para o seguinte. “É muito importante também conhecermos os obstáculos que teremos que enfrentar para chegar ao nosso objetivo. Pois assim estaremos preparados para superá-los”.

Fale com o PraCarreiras