Hoje trouxemos um tema sério para o PraCarreiras: inclusão no mercado de trabalho. E para discutir melhor o assunto, conversamos com duas especialistas quando se trata de contratação de PCD, ou pessoas com deficiência, Roberta Rodrigues e Talita Cristina. Vamos entender mais sobre o que é PCD e o quanto todo mundo ganha com esse tipo de contratação.

Juntas elas idealizaram um projeto inspirador chamado Innovare Inclusiva, uma consultoria para contratação de profissionais com algum tipo de deficiência.

“A ideia é ser transformadora, não só na vida das pessoas, mas na exclusão em que elas viveram. Queremos fazer a diferença”, aponta Roberta.

Segundo as especialistas, muitas empresas procuram a Innovare Inclusiva não apenas para contratar esses tipos de profissionais, mas para receber auxílio em sua inserção entre os colaboradores e para o aprimoramento deles na carreira.

“Uma das questões que a gente procura nas empresas é identificar oportunidades. Muitas vezes, eles têm uma vaga pronta, mas conseguimos identificar outras de acordo com nosso banco de talentos. Dessa forma, conseguimos incluir mais pessoas em funções diferentes”, explica Talita.

Por parte dos candidatos, a consultoria possui um banco de cadastro de currículos, que são analisados e indicados para oportunidades compatíveis com o perfil de cada profissional.

Sabemos que o Brasil precisa avançar muito quando o tema é acessibilidade. Mas segundo as consultoras, esse cenário tem mudado nos últimos anos.

Locais acessíveis e facilidade de locomoção até a escola têm ganhado atenção das políticas públicas e empresas privadas.

e quando falamos da vida profissional, esses pontos continuam importante. É preciso facilidade para chegar ao local de trabalho, locomover-se pela empresa e inclusão social entre os colaboradores.

O que é PCD em cargos de gestão?

O mapeamento de oportunidade visa diminuir a associação entre funcionários PCD a apenas cargos de entrada, mais operacionais. Com esse trabalho, é possível incluir colaboradores com deficiências em cargos de gestão, por exemplo.

Segundo Talita, a Innovare Inclusiva procura mostrar para as empresas que existem candidatos PCD com qualificações suficientes para assumirem a liderança de um time ou conquistarem posições mais estratégicas.

“A pessoa com deficiência pode trabalhar em qualquer cargo, como qualquer pessoa sem deficiência”, ressalta a empresária Talita. Apesar das empresas ainda apresentarem desconhecimento do assunto, ou até alguma resistência, esse cenário vem mudando aos poucos, segundo as consultoras.

Contratação por competência e não pela deficiência

A igualdade no mercado de trabalho será plena quando a contratação for pelas habilidades dos profissionais, indiferentemente se ele possui alguma deficiência ou não.

“O ideal é que as empresas olhem as competências do colaborador e não suas deficiências. Nossa ideia é ajudar as empresas a avaliarem e promoverem todos de acordo com suas competências”, conta Talita.

Importante destacar que nenhuma deficiência é limitadora quando o ambiente está acessível.

Outro diferencial da Innovare Inclusiva é o feedback muito sincero e direto no caso de candidatos que são reprovados em processos seletivos.

Nada de frases genéricas ou apenas motivacionais, as consultoras garantem que há muita transparência nesse feedback.

Em alguns casos, elas utilizam uma ferramenta de coach para ajudar os candidatos para próximas oportunidades.

“Procuramos ser transparentes, porque só assim é possível a melhora e o aumento de chances de ser aprovado em uma oportunidade”, explica Talita.

PCD: por que eu não sou chamado?

Uma das principais angústias de qualquer candidato é não ser chamado para entrevistas de emprego. Aqui, a regra é a mesma para todos os profissionais: é preciso ponderação.

Muitos candidatos, na ânsia de conseguirem um emprego, saem disparando seus currículos para todas as oportunidades que aparecem no mercado.

Fazer isso não aumenta suas chances de conseguir um novo emprego, na verdade isso pode inclusive atrapalhar.

Em conversa com o Linkedin, descobrimos que a maior reclamação das empresas recrutadoras é receber currículos que não possuem os requisitos mínimos exigidos pela vaga.

“É preciso ver se as competências técnicas estão de acordo com o que a vaga pediu. Se ele não tiver os requisitos básicos, ele não vai ser chamado. Acho que a gente precisa se auto analisar, olhar o currículo e a vaga e ver se você tem as competências mínimas”, aponta Roberta.

E se você precisar de uma força com cursos, veja aqui cursos grátis pra você aprimorar suas habilidades. Hoje, é possível aprender inglês de graça com apenas um pouco de dedicação.

Outro ponto comum para desclassificar candidatos é um currículo pouco chamativo e estratégico. Nós do PraCarreiras temos uma editoria só de currículos para ajudar nesse ponto.

Lei da Inclusão PCD: as empresas estão preparadas?

A lei de Cotas PCD, ou lei de contratação de deficientes em empresas, surgiu em 1991. Ela estipula um número mínimo de contratação de profissionais com deficiência de acordo com o tamanho da empresa.

Quando falamos de uma lei para contratação de pessoas com deficiência existe um contrapeso. Será que as empresas estão contratando pela obrigatoriedade ou elas enxergam os benefícios dessa inclusão?

Segundo a Innovare Inclusiva, as empresas estão no caminho certo para esse programa de inclusão.

A lei tem aumentado a demanda por parte das empresas por profissionais com deficiência. Além disso, ela tem gerado mais conscientização por parte dos recrutadores, algo que não acontecia alguns anos atrás.

“Tem empresas que ainda tem esse olhar de obrigatoriedade e outas que já conseguem entender que fazer a inclusão vai deixar a equipe mais diversa, com pensamentos mais complementares, ideias diferentes”, ressalta Talita.

A empresária complementa que algumas empresas contratam pela obrigação e depois começam a perceber o valor que essa inclusão tem para seu negócio.

Principais desafios na contratação PCD

O principal desafio é a acessibilidade quando falamos da contratação de um profissional com deficiência. Mas a acessibilidade torna-se um entrave quando não há conscientização por parte das empresas, pois é possível receber muitos profissionais sem gerar custo algum.      

“As empresas não sabem que podem contratar uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, pois acreditam que a integração seria muito cara. Mas existem softwares de voz totalmente gratuitos e as empresas não precisam mudar absolutamente nada dentro de suas estruturas”, explica Roberta.

Outro ponto é a integração dentro das equipes. “Já tivemos algumas situações em que o gestor perguntou como ele daria um feedback para um profissional com deficiência. Nós respondemos que seria como ele daria um feedback para qualquer profissional”, diz Talita.

Importante é lembrar que o PCD deve receber feedback e metas como qualquer outro profissional.

Todo mundo ganha com a inclusão e diversidade

Hoje falamos muito sobre propósito e identificação com os valores da marca.

Pesquisas apontam que os consumidores compram mais de empresas nas quais eles compactuem com o posicionamento do que aquelas que trazem mais descontos.

Essa realidade se aplica na relação de colaboradores com suas empresas empregadoras. Trabalhar em uma empresa que apoie a diversidade e inclusão traz satisfação e propósito para toda a equipe.

“E o quanto estamos contribuindo para a mudança na vida de uma pessoa, ou de uma família. Uma pessoa que está tendo uma oportunidade, que vai fazer com que ela tenha mais autoestima, se sentir mais digna, se encarreirar. O trabalho proporciona tudo isso e muito mais”, ressalta Talita.

A especialista em recrutamento Talita explica que as pessoas se tornam mais pacientes, porque elas conseguem compreender e ensinar com mais calma para profissionais que precisam de mais apoio.

Além disso, os processos ganham em criatividade ao se adaptarem para algumas deficiências e permitir que todos realizem suas atividades.

“Me sinto realizada e feliz”

Renata Camargo Vieira: recolocada com a ajuda da Innovare Inclusiva

Após sete meses desempregada, a compradora Renata Camargo Vieira orgulha-se ao dizer que finalmente está recolocada no mercado. Esse não foi o maior período em que ela ficou sem trabalhar.

“Já fiquei um ano desempregada. Apesar das leis que incentivam a inclusão de pessoas com deficiência, ainda há muita dificuldade para esse tipo de contratação”, desabafa Renata. A compradora assume todas as despesas da casa e conta que passou por apuros quando estava sem um trabalho.

Seu olho esquerdo é cego devido a uma toxoplasmose e descolamento da retina, mas isso não a impediu de sonhar e correr atrás do que quer para sua vida.

“Eu me sinto uma pessoa realizada e feliz. Mas quero ir além, pretendo fazer uma pós-graduação, me aprofundar no inglês e continuar crescendo profissionalmente”, promete.

Se você é um profissional com deficiência cadastre seu currículo na Innovare Inclusiva. E não esqueça de aprimorar seu currículo e o seu perfil no Linkedin antes.

Summary