Paridade de gênero no mercado de trabalho? Somente daqui a 100 anos

Paridade de gênero

Artigo escrito pela Erica Castelo, Headhunter internacional, destaca dados de pesquisa que mostra a paridade de gênero no mercado de trabalho.

Os números da última pesquisa de 2020 do World Economic Forum sobre o Gap de Gênero no mundo são alarmantes. A grande mensagem é que nenhum de nós verá a paridade de gênero em nossas vidas, e muito provavelmente nem nossos filhos poderão ver.

Isso porque essa marca não será atingida nos próximos 99,5 anos, ou seja, quase um século.

O relatório examina a paridade de gênero em quatro categorias: economia, educação, saúde e empoderamento político. Educação e saúde são as que mais se aproximam de eliminar as disparidades de gênero, com 96% e 97% de paridade, respectivamente.

Paridade de gênero: Empoderamento político

O empoderamento político é o mais distante da paridade, com lamentáveis 24,7%, mas observou um aumento de 1,8 ponto percentual no ano passado.

O grande foco da questão é a gap na participação econômica, onde a marcha em direção à paridade regrediu no ano passado para 57,8% de paridade de gênero.

Os culpados habituais estão em jogo aqui: uma parcela menor de mulheres está na força de trabalho, as disparidades de gênero aumentam ainda mais com a idade, as mulheres ainda estão proibidas de abrir uma conta bancária ou obter crédito em inacreditáveis 72 países.

Somado a isso, as mulheres assumem uma parte desproporcional das responsabilidades domésticas e de cuidados familares, o que reforça a diferença salarial.

Paridade de gênero: Posição 89 no ranking de maiores gaps

O Brasil, por sua vez, ocupa a posição número 89 no ranking de maiores gaps de gênero em participação econômica, um dos maiores na América latina (atrás de países como  República Dominicana e Nicarágua), o que demonstra o tamanho do caminho ainda a ser perseguido em busca de uma economia mais justa entre homens e mulheres.

Há outro conjunto de dados notável: a representação das mulheres em empregos considerados ‘emergentes’ – definidos como aqueles que crescerão nos próximos cinco anos nas 20 principais economias.

Em apenas duas das oito categorias desses empregos (Pessoas e Cultura e Produção de Conteúdo) as mulheres constituíam a maioria da força de trabalho. Nas outras seis – Marketing, Vendas, Desenvolvimento de Produto, Dados e IA, Engenharia e Computação em Nuvem – as mulheres estavam em minoria.

Além de estarem sub-representadas nesses campos emergentes, as mulheres estão subrepresentadas em profissões que correm o risco de serem automatizadas.

A oferta de mulheres com habilidades adequadas aos trabalhos mais promissores é apenas parte do problema; em alguns casos, os empregadores negligenciam as mulheres qualificadas para tais funções, ou elas não se sentem preparadas para assumir esses postos.

Paridade de gênero: Os dados no Brasil

Se olharmos em mais detalhes os dados no Brasil, mapeados pelo Global Gender Gap Report 2020 do World Economic Forum, os resultados são ainda mais polarizantes: enquanto as mulheres são a grande maioria (71%) em Pessoas & Cultura, especialmente em todas as áreas de ponta diretamente ligadas a tecnologia, a presença feminina é muito escassa: 18% em Dados e Inteligência Artificial, 11 % em Engenharia e apenas 5% em Computação na Nuvem.

Para garantir que as profissões do futuro possam ter como alvo a paridade de gênero na próxima década, uma agenda sustentável de diversidade e inclusão dentro das organizações precisa direcionar as contratações utilizando plenamente os talentos existentes e garantindo que os ambientes de trabalho inclusivos retenham e desenvolvam as mulheres já empregadas nas profissões consideradas “do futuro”.

Para tentar diminuir essa disparidade atual, muitas empresas ligadas à tecnologia no Brasil e no mundo têm apostado em programas para inserir mais mulheres no mercado de trabalho de tecnologia, oferecendo capacitação e até mesmo possibilidades de contratação ao final da jornada de treinamento.

Ações como essas podem trazer resultados de impacto, encurtando mais rapidamente esse gap.

Paridade de gênero: Os dados da pesquisa do WEF

Segundo os dados da pesquisa do WEF, as mulheres representam uma parcela maior das pessoas que afirmam ter as habilidades comportamentais (ou “soft skills”) e uma parcela relativamente menor daquelas que se declaram com habilidades tecnológicas disruptivas, embora vale destacar que em ambos os grupos as mulheres representem uma parcela menor do que os homens.

O papel da área de Gente é vital na construção desse processo. A estratégia de aumentar a oferta de mulheres capacitadas em tech é primordial, mas só a ponta do iceberg.

É preciso fomentar a agenda de inclusão dentro das organizações, garantido o sucesso do futuro dos programas de capacitação e atração de mulheres em tecnologia: a retenção desses talentos femininos e a garantia de que os programas levarão ao aumento natural da presença dessas mulheres em cargos de liderança.

As práticas de inclusão contemplam uma série de ações que incluem, por exemplo, mentorias, workshops internos e formação de grupos internos de apoio. Essas ações chave focam no suporte à trajetóriada carreira, na visibilidade e no contínuo treinamento dos skills focados em habilidades técnicas mais disruptivas.

Paridade de gênero: Práticas de inclusão

Permeando as práticas de inclusão, fomentar uma forte cultura de apoio à causa é essencial ao sucesso de tudo isso: é verdade que as mulheres precisam ser aliadas na causa, mas o maior impacto vem também dos homens e da equipe de gestão que as fortalece e defende.

Em vez de perpetuar comportamentos tóxicos e hostis em relação às mulheres, as empresas devem tomar medidas preventivas por meio de treinamento, linguagem inclusiva, foco na igualdade e investimento na criação de uma cultura real de inclusão.

Essa chamada à ação não necessariamente diminui o duro golpe de gap de gênero que, no passo atual, levará quase 100 anos para ser sanado. No entanto, é uma abordagem concreta para abordar o que continua a ser um enorme problema global, trazendo perspectivas mais animadoras para encurtar essa grande jornada ainda a ser trilhada pelas organizações em busca de mais justiça social e econômica.

Paridade de gênero: Sobre Erica Castelo

Erica Castelo é headhunter internacional e CEO da The Soul Factor, empresa de Executive Search exclusiva, sediada nos EUA com alcance global.

Mais informações: https://www.thesoulfactor.com.

Leia também – Programa de diversidade: é preciso preparar a casa antes.

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