Muita gente não sabe, mas identificar-se com o estilo da empresa é essencial para você passar em um processo seletivo e, mais importante, pode definir sua trajetória dentro dela. Isso porque, quando compartilhamos o mesmo perfil, tendemos a nos dedicar mais e nos sentimos mais motivados. A consequência mais provável disso, é o crescimento e promoção profissional.

Identificar-se com a empresa extrapola a compatibilidade da tradicional visão, missão e valores encontrados na parte institucional do site. Além desses fatores, que também são importantes, é preciso entender como a empresa se comporta no mercado, quais projetos apoio, como são os processos internos, qual tipo de liderança é valorizada entre outros fatores.

Conversamos com a consultora de RH, Danielle Lima, especialista em coaching para transição de carreira, para discutirmos mais o tema.

 

O impacto da identificação com a empresa

 

Podemos dividir essa identificação em dois pontos. Primeiro como a empresa se posiciona no mercado. E segundo como ela se relaciona com seus colaboradores.

No primeiro ponto, podemos observar quais projetos a empresa defende, se é mais sustentável ou mais focada em desenvolvimento acelerado, por exemplo. Se sua meta é se tornar a primeira em seu setor ou se é contribuir socialmente para seu país. Podemos observar o lucro da empresa, se ela é capital aberto ou familiar, se tem crescido muito nos últimos anos ou tem tido prejuízo.

Todos esses itens podem ser captados na internet, em pesquisas de notícias referentes a empresa em que você pretende trabalhar.

No segundo ponto, podemos falar da maneira que a empresa lida com seus colaboradores. Se ela espera que eles sejam mais competitivos ou cooperativos, que sejam focados em resultados ou em processos. Também podemos destacar empresas que “premiam” colaboradores que trabalham por muitas horas e outras que valorizam a qualidade de vida de cada funcionário.

Nesse caso, o Love Mondays é um site que responde grande parte dessas dúvidas. O Linkedin também pode auxiliar, na medida em que você pode tentar um contato com alguém que trabalhe na empresa em questão.

Essas informações são essenciais para você saber se compactua com o perfil da empresa. “Ser aderente a cultura é acreditar que os princípios, valores e ideais da empresa estão relacionados com os seus. Tem tudo a ver com felicidade”, pontua Danielle. Ela complementa que esse alinhamento é responsável pela motivação dos profissionais. “Você fica mais engajado e motivado em acordar todos os dias para ir trabalhar. Em dar o seu melhor, vestir a camisa”.

Não adianta trabalhar em uma empresa que valorize o resultado a todo custo, se o seu perfil não é agressivo e focado em resultados. Isso pode gerar uma frustração e impedir o seu avanço na carreira.

 

E como eu sei qual o meu perfil?

 

Essa é uma questão complexa. Muitos profissionais passam anos de suas carreiras sem encontrar uma resposta e trabalham insatisfeitos atribuindo toda a infelicidade a sua capacidade técnica e comportamental. Outros são desligados e se sentem incompetentes por essa quebra de contrato. Quando na verdade, o que existia era apenas um desencontro de perfis.

Para descobrir qual o seu perfil profissional, a receita é uma só: se analisar. Uma dica é elencar os principais tipos de empresa (bancos, varejo, startup, empresa familiar, empresas de tecnologia, etc), estudar sobre o perfil ideal de candidato para cada uma delas e ver em qual você se encaixa.

Esse perfil irá mudar durante a sua trajetória profissional. Para dar um exemplo, no começo da minha carreira eu tinha um perfil muito agressivo e queria o crescimento acelerado. Entrei em um processo de trainee de uma grande varejista e gostei muito. Dois anos depois, percebi que gostaria de trabalhar em um clima organizacional mais tranquilo, mesmo que focado em resultados.

“Posso dar alguns exemplos. Startups tendem a ter um modelo mais inovador e informal, já o mercado financeiro/segurador costuma ter um modelo mais formal. Empresas de tecnologia são também mais agressivas e empresas multinacionais, embora estejam revendo esse modelo, tendem a ter uma cultura mais burocrática. A indústria de beleza normalmente tem um olhar mais focado na adversidade”, pontua Danielle.

A consultora conta que a cultura das startups está em ascensão no mercado agora. “É um clima bem peculiar. Normalmente, com um clima mais informal e uma estrutura organizacional mais horizontal (com menos chefes), o que traz mais agilidade nas tomadas de decisão e execução de atividades”, conta. Ela explica que nesses tipos de empresa a resiliência e agilidade são muito valorizadas. “Vamos errar rápido, assim acertamos mais rápido ainda. É uma cultura bastante dinâmica e hands on (colocar a mão na massa)”, completa.

Para nossa felicidade, existem diversos tipos de organizações e, com certeza você irá encontrar o seu. E para nos ajudar ainda mais, a Danielle nos passou alguns sites que com testes de perfil:

Teste das 16 personalidades

Ancora de Carreiras

Eneagrama

DISC

Teste de Temperamento

 

Saiba da empresa antes de ir para uma entrevista de emprego

 

Lembre-se que uma entrevista é uma reunião estratégica, em que ambos os lados vão identificar se essa contratação faz sentido. Portanto, não se trata apenas de falar sobre si mesmo, mas sim trazer um discurso que mostre a relevância da contratação.

Para isso, é importante organizar o seu discurso de modo a destacar, dentro da sua trajetória profissional, tudo aquilo que tem relação com o perfil da empresa. Por exemplo, se a empresa é muito focada em resultado, traga no seu discurso os resultados obtidos em suas últimas experiências profissionais. Caso a empresa apoie muitos projetos sociais, uma boa saída é falar de trabalhos voluntários.

A Danielle destaca a importância de falar de informações específicas da empresa que você pesquisou durante a entrevista. “Candidatos que fazem isso normalmente se destacam dos demais, pois pesquisaram sobre a cultura e sobre a empresa. Demonstram que estão ali porque querem estar, pois se identificam com o propósito e valores da empresa, e não apenas por conta do dinheiro”, explica.

 

Quais consequências de entrar em uma empresa que pensa de forma diferente da sua?

 

Com base em tudo que explicamos até agora, fica fácil perceber as consequências negativas de estar em uma empresa com o perfil diferente do seu. Por isso, é essencial ser transparente durante as entrevistas de emprego e analisar se aquela oportunidade é mesmo aquilo que você estava procurando.

Uma dica é fazer perguntas para o recrutador. Se, durante a sua pesquisa, você ficar com alguma dúvida sobre a empresa, exponha todas elas durante a entrevista. Fazer perguntas demonstra interesse e mostra um perfil analítico, que busca uma oportunidade certeira. Questione sobre a identidade da empresa, quais características são mais importantes na hora da promoção de um colaborador e se existe um plano de carreira, por exemplo.

 

Mas e se você já está trabalhando em um local em que você não se identifica?

 

A Danielle explica que, primeiramente, é preciso entender o que está desmotivando o funcionário. “A melhor coisa a se fazer nesses casos é entender exatamente o que está desagradando na cultura. Pois, às vezes, trata-se de uma questão pontual que pode ser resolvida diretamente com o seu gestor. Se não for esse caso, uma movimentação no mercado deve ser considerada”, diz.

O ponto positivo de experiências ruins é que elas ajudam você a conhecer melhor o seu perfil profissional. Por meio de situações desagradáveis, é possível perceber o seu limite de tolerância e o quanto você está disposto a lidar com determinadas condições no trabalho.

Ficou com alguma dúvida? Escreva para a gente!