Área de TI é Boa?

Ao contrário do que muitos podem pensar, o bom profissional da área de tecnologia da informação – mais conhecida como TI – não é apenas aquele que domina os códigos de programação e passa horas isolado em uma sala, de olho na tela de um computador.

Mas, embora esse comportamento ainda seja comum nas empresas, Luciana Maciel, especialista com 10 anos de atuação no setor, garante que para se destacar na profissão é preciso ter a habilidade de interagir:

“É preciso ter empatia e compreender o negócio do cliente, porque ele não vai conversar com uma máquina, mas com uma pessoa”, comenta ela, que hoje atua como coordenadora de implantação da Soluti, empresa especializada em certificação digital (documento eletrônico que garante a realização de operações online com segurança).

Um mercado promissor

Nessa entrevista, a profissional conta um pouco de sua bem-sucedida trajetória na área, os desafios de ser mulher em um universo predominantemente masculino e dá dicas valiosas para quem deseja ingressar na carreira.

“O mercado de TI ainda vai crescer 1000%. Há várias feiras de inovação na área de tecnologia mostrando coisas que só víamos em filmes e nunca se imaginou que poderiam tornar-se reais”, ressalta Luciana.

PC: Você sempre gostou desse universo da tecnologia? Como foi a sua escolha pela profissão?

Eu sempre fui apaixonada por tecnologia. No início, até muito mais do que por pessoas (risos), porque é tudo muito exato: 1 + 1 é igual a 2, diferentemente de algumas áreas em que tudo depende da sua interpretação.

Sempre tive curiosidade de saber como as coisas funcionavam. Via as pessoas que trabalhavam com tecnologia como deuses, superinteligentes. Assim eu fui me apaixonando pela área de tecnologia.

Mas sou de uma geração mais antiga.

O videogame da minha época era o Atari, eu comecei a formatação dos computadores em disquete. Muitas pessoas nem sabem o que é isso.

PC: Então você teve que evoluir junto com a tecnologia.

Com certeza. Quando saía uma coisa nova, eu ia atrás para descobrir o que era, como funcionava.

E, como eu tinha recursos reduzidos, conhecia na casa de amigos, às vezes, na escola.

PC: Quais são os campos em que o profissional de tecnologia da informação pode atuar?

Quando se fala em TI, a primeira imagem que vem à cabeça das pessoas é o menininho ou menininha do computador.

Aquele com quem você vai falar quando a impressora não funciona ou o computador está lento.

Hoje em dia, com a tecnologia fazendo cada vez mais parte da nossa vida – e vai fazer ainda mais – o profissional da tecnologia da informação pode atuar em N áreas: pode desenvolver sistemas, ferramentas, a parte física das máquinas (hardware), pode atuar com robótica.

Também pode gerenciar projetos dentro de empresas, atuando no desenvolvimento, na implantação, no treinamento, etc. Eu já trabalhei com vários segmentos de clientes, como livrarias, empresas de atacado e varejo.

PC: É preciso aprender um pouco sobre os tipos de negócio em que se vai atuar para saber como desenvolver o melhor sistema para cada um deles?

Exatamente. A última empresa para a qual eu colaborei desenvolvia sistemas para escritórios jurídicos.

E, apesar de saber sobre sistemas, eu não entendia tanto sobre o negócio do cliente, então pesquisei e me aprofundei sobre o que eles faziam para poder desenvolver um bom trabalho.

Nem todo mundo pensa assim, alguns profissionais se fecham no mundinho deles.  

Mas eu acredito que é importante conversar com as pessoas, interagir para saber o que o usuário quer.

E cada vez mais profissionais têm percebido isso e saído de trás da mesa para conversar com as pessoas.

PC: Já que estamos falando sobre o perfil desse profissional, que habilidades você acredita serem fundamentais para se destacar na área de tecnologia da informação?

Além do conhecimento técnico, que é possível adquirir por meio de leitura, de videoaulas, etc., hoje em dia, o que faz esse profissional se sobressair é a parte de lidar com pessoas.

Você pode ter um ótimo sistema, mas se não tiver um bom suporte, o sistema não serve para nada.

Vão falar mal do sistema, da marca, e as pessoas vão conhecê-lo como um suporte que não funciona.

É importante ter empatia, porque o cliente não vai conversar com uma máquina, mas com uma pessoa.

PC: Existem muito mais homens do que mulheres nas profissões ligadas à TI? Ser mulher nessa carreira pode ser um desafio?

É um superdesafio. Eu sempre trabalhei muito mais com homens do que com mulheres. Tive pouquíssimos contatos com mulheres na área de TI.

Mas hoje em dia, se veem muito mais mulheres na profissão do que antigamente.

Já foi muito mais desafiador, porque se dizia que “menina não sabe jogar videogame”, “mulher não sabe programar, porque não tem raciocínio lógico”, havia muito preconceito.

Mas hoje existem mulheres melhores que muitos homens em relação a conhecimento e até mesmo no trato com as pessoas.

Mas também vemos muitos homens que aprenderam essa parte de relacionamento e desempenham um ótimo trabalho.

PC: Você já passou por alguma situação específica de preconceito, de ter sido diminuída por ser mulher nessa profissão?

Sim, algumas vezes. Inclusive já perdi uma vaga de estágio por ser mulher e por ser mais velha (entrei na faculdade com 31 anos).

Fui para a entrevista com o cabelo bonito, maquiada, roupa bacana, porque eu gosto de causar uma boa impressão. Isso é algo meu.

E me perguntaram como eu iria carregar uma CPU, entrar embaixo de uma mesa para limpar cabo vestida como eu estava.

Quando respondi que não iria trabalhar de salto alto, disseram: “Mas você é mulher. Vai trabalhar como?”.

Respondi que hoje em dia já confeccionam calça jeans, tênis e camiseta para mulheres.

Já participei de reuniões em que eu tinha que conversar com fornecedores, meu gerente abria a palavra para mim, mas os fornecedores só se dirigiam ao meu gerente.

Mas o bom é que eu sempre trabalhei com pessoas que me apoiaram, que sabiam da minha competência e me davam autonomia.

PC: Me conte um pouco sobre o que você faz no seu dia a dia na Soluti e o que mais gosta na sua rotina.

Minha equipe fica em Goiânia e eu trabalho de Fortaleza, porque posso fazer meu trabalho de qualquer lugar, desde que tenha um computador e conexão com a internet. Essa é a melhor parte.

Trabalho na parte de integração de sistemas e implantação de projetos para certificação digital em nuvem, principalmente na área da saúde. Eu também cuido de um projeto de votação em assembleias digitais de um grande banco que é nosso cliente.

Entro e contato com os clientes, explico como funciona o projeto, como é a assinatura, as configurações, toda a parte técnica.

Tenho muito contato com o pessoal de TI das instituições. O cliente solicita a certificação digital, nós apresentamos a parte técnica para o cliente, configuramos, ele usa durante um tempo, depois nós vemos a produção e acompanhamos esse cliente.

Dando suporte para que ele fique um pouco mais confortável.

PC: Tem alguma atividade do seu dia a dia que você preferiria não ter que lidar?

Ter que lidar com a reclamação das pessoas que podem pensar que você não está fazendo nada. Porque tem processos que as pessoas não entendem.

Hoje em dia, todos têm muita pressa e não respeitam o prazo dos procedimentos.

Vem o estresse, a falta de educação. Tem cliente que envia mensagem às dez horas da noite e, se você não responde, ele pode pensar que você ignorou a necessidade dele.

Então é preciso contornar a situação sem explicitar regulamentos internos da empresa, mas de forma que não cause a impressão de que o cliente está abandonado.

PC: O mercado de TI parece estar crescendo mais e mais, com o desenvolvimento de novas tecnologias. Você acredita que ainda vá crescer mais e que é uma boa área para investir na carreira?

Muito. O mercado de TI ainda vai crescer 1000%. Há várias feiras de inovação na área de tecnologia acontecendo no Rio de Janeiro, por exemplo, mostrando coisas incríveis que acontecem em filmes e que nunca se imaginou que poderiam se tornar reais.

As pessoas precisam ser mais dinâmicas, estudar mais.

Hoje a informação é muito rápida e fácil. Tem pessoas que se dizem técnicas de computador, porque viram uma videoaula sobre como formatar um computador.

Mas não sabem sobre as peças, a placa-mãe, o software e não acham que precisam de faculdade para isso.

Claro que existem pessoas que são autoditadas, mas hoje em dia o mercado ainda exige que se tenha diploma.

PC: Que conselhos você daria para uma pessoa que quer ingressar nessa profissão?

Muitas pessoas escolhem a faculdade de tecnologia porque acreditam ser uma área que “dá dinheiro”.

Mas já vi pessoas desistirem da faculdade e mudar para cursos como RH, por exemplo.

Acredito que, antes de decidir, a pessoa deve, primeiro, experimentar. Fazer um curso técnico, conversar com pessoas da área.

Seria interessante se as faculdades abrissem debates que mostrassem realidades diferentes, de profissionais que se deram bem, mas também de outros que estão fora do mercado porque não se atualizaram.

PC: O que é sucesso para você? Você se considera uma pessoa bem-sucedida?

Super bem-sucedida. Sucesso é fazer o que você sonhou.

É estar feliz no que você faz. É claro que não é todo dia que você vai achar o dia lindo. Mas é, mesmo depois de um dia estressante, não ter aquela sensação de que não aguenta mais o trabalho.

A melhor coisa que existe é acordar bem e poder dizer: “Oba! Mais um dia”.

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Carreira em Tecnologia da Informação: empatia é fundamental
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Carreira em Tecnologia da Informação: empatia é fundamental
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Ao contrário do que se pensa, o bom profissional de TI não precisa passar horas isolado na frente de um computador. Interagir com pessoas é fundamental.
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