Graças a uma rotina de trabalho flexível – e, claro, a organização que dita seus dias – Carolina Cordova, 35 anos, consegue conciliar prazer e responsabilidades. Enquanto suas atividades como tradutora garantem estabilidade financeira, o blog Treats and Trips lhe permite viajar, visitar traótimos restaurantes e até ir ao cinema no meio da tarde, como poucos de nós pode gabar-se de conseguir. “Como posso trabalhar de qualquer lugar do mundo, em qualquer horário, consigo ir a muitos eventos, almoços e viagens enquanto trabalho”, explica a paulista, que também cursou Direito.

Porém, embora possa parecer fácil, a carreira como tradutor exige adaptabilidade e disciplina, já que, na maioria dos casos, esse profissional atua como freelancer e trabalha com prazos apertados. Dessa forma, muitas vezes, é necessário passar noites em claro para cumprir com os deadlines impostos. Por outro lado, ao menos no caso de Carolina, a recompensa vem com períodos de tranquilidade que ela aproveita para curtir a vida. “Hoje descobri que gosto de ser tradutora, principalmente por poder fazer meu horário e ter uma rotina ‘sem rotina’(…) Isso me deixa feliz!”, conclui.

PC: Como você ingressou na profissão de tradutora?

Eu me formei em Letras com habilitação em Tradução pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de São José do Rio Preto. Assim que me formei morei um ano nos Estados Unidos como Au Pair (um programa em que você trabalha como babá, morando em casa de família e com tempo para estudar) para aprimorar meu inglês. Quando voltei, me mudei para São Paulo, comecei a trabalhar como revisora e, mais tarde, como tradutora em uma empresa de tradução com foco em farmacêutica. Desde então, faço tradução de textos de várias áreas, mas esse é meu foco principal.

PC: Qual foi sua motivação para escolher essa profissão?

Sempre gostei de estudar vários idiomas, e foi meio sem saber se era isso o que eu queria trabalhar que fiz a faculdade. Também me formei em Direito pelo Mackenzie e, mesmo estudando e fazendo estágio em Direito, nunca deixei de trabalhar como freelancer em tradução. Hoje descobri que gosto mesmo de ser tradutora, principalmente por poder fazer meu horário e ter uma rotina “sem rotina”. Tem dias em que não durmo para cumprir um prazo e, em outros, consigo ir ao cinema no meio da semana, à tarde. Isso me deixa feliz! 

PC: O que é exatamente ser tradutora?

O profissional tem várias opções: pode trabalhar, por exemplo, com legendagem de filmes e com tradução simultânea (muito usada em congressos). No meu caso, o trabalho é basicamente traduzir ou verter (passar da língua nativa para o inglês ou para o espanhol). Como a minha área é a farmacêutica, faço muita tradução de medicamentos novos e estudos de medicamentos. Mas, como trabalho com o prazo de cada job, minha rotina varia muito de dia para dia.

PC: A faculdade é suficiente para ser bem-sucedido nessa área? Ou ela pode ser até desnecessária? 

A faculdade não é suficiente. Eu aprendi mesmo e me senti segura a traduzir na prática na primeira empresa de tradução em que trabalhei. E muitos tradutores não são formados em tradução, simplesmente se sentem aptos e começam a trabalhar na área.

Carolina olha pela janela e vê a paisagem. Ela pode trabalhar de qualquer lugar do mundo
Nômade Digital: Carolina no Convento da Penha, em Vitória do Espírito Santo. Trabalhe de qualquer lugar do mundo.

PC: Existem aspectos dessa profissão que podem ser desagradáveis ou até insalubres? 

Sim. O tradutor quase nunca é registrado, não tendo vínculo algum com a empresa para a qual trabalha. A empresa, muitas vezes, passa trabalhos grandes com prazos curtos para entregar. Os valores são impostos por eles (as grandes empresas de tradução) e, muitas vezes, os profissionais aceitam por necessidade. Já passei várias noites em claro para entregar o trabalho no prazo certo, e sei que isso acontecerá outras vezes.

PC: Que habilidades você julga serem fundamentais para ser um bom tradutor?

Ter atenção, tentar ser perfeccionista ao máximo e organização.

PC: Em que momento o blog Treats and Trips aparece na sua trajetória e de que forma você organiza seu tempo entre ele e o seu trabalho formal?

O blog é um hobby, que começou há uns cinco anos a partir de minhas grandes paixões: viajar, cozinhar e comer! Como posso trabalhar de qualquer lugar do mundo, em qualquer horário, consigo ir a muitos eventos, almoços e viagens enquanto trabalho. Financeiramente não ganho com o blog, a área de gastronomia é difícil para isso, mas é um prazer a cada receita que faço e cada foto que tiro!

PC: Quais foram os principais desafios que você teve que superar ao longo da sua carreira para chegar ao patamar em que está hoje?

Foi difícil conseguir um primeiro emprego na área, pois não tinha experiência. Mas, depois que entrei como revisora na primeira empresa, e lá mesmo me tornei tradutora, as coisas começaram a melhorar, pois adquiri mais experiência, comecei a enviar currículo para outras empresas e participar de testes.

PC: Tem alguma dica para quem quer seguir nessa profissão?

Assim como em toda profissão, o começo não é fácil, mas estudar muito e ser curioso é sempre válido!

PC: O mercado de trabalho de tradução é promissor?

Pelo menos na área em que eu atuo, dificilmente ficamos sem trabalho, porque mesmo com crise, sempre existem novos estudos de medicamentos. Mesmo com boas ferramentas de tradução, nada (ainda bem) substitui o trabalho de um tradutor. 

PC: O que é sucesso para você?

Conseguir fazer o que me deixa feliz e realizada!