Você já parou para pensar no significado de happy hour? Se você não vê a hora de chegar o final do expediente para abandonar o escritório e, finalmente, começar a ser feliz, provavelmente algo vai muito mal na sua relação com o trabalho. É muito comum encararmos nossas tarefas diárias na empresa como um fardo que temos que carregar em troca de uma remuneração, necessária para a nossa sobrevivência. Mas será que isso é normal, só porque é comum? Será possível encontrar a felicidade no trabalho e obter satisfação nas muitas horas que dedicamos a ele? A resposta é: sim!

E, para que possamos trazer medidas práticas e eficientes para você aplicar no dia a dia, conversamos com a psicóloga organizacional Renata Fornazzari, da Consense. “Vivemos em uma sociedade na qual produzir é fundamental para que possamos nos sentir completos. Por isso, para estarmos bem no trabalho, devemos estar satisfeitos com os resultados daquilo que desenvolvemos. O trabalho deve cumprir com um propósito. Afinal, é por meio dele que eu me reconheço competente, produtivo, que tenho retorno financeiro…”, explica Renata.

Felicidade X produtividade

E, falando em produzir, tem sido cada vez mais notável a relação entre os níveis de satisfação dos funcionários e sua produtividade. Um estudo recente realizado pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, revelou que funcionários felizes são 12% mais produtivos do que os demais. É por isso que as iniciativas que promovem o bem-estar no ambiente de trabalho têm ganhado relevância nos últimos anos.

Mas os benefícios não param por aí. De acordo com Renata, quando as pessoas têm uma sensação de bem-estar com relação às atividades que desempenham, elas geralmente faltam menos ao trabalho, já que apresentam menos sinais de angústia. “A segunda maior causa de afastamento, segundo o Ministério do Trabalho, são as questões emocionais”, reitera a psicóloga. Além disso, Renata explica que quando um funcionário falta ao trabalho, os líderes e colegas acabam tendo que trabalhar cerca de quatro horas a mais para compensá-lo. “Por isso, outro benefício de as empresas investirem no bem-estar de seus funcionários é evitar um prejuízo nas relações”.

Empresas como Google e Facebook foram pioneiras – e até revolucionárias – no quesito promoção da felicidade no trabalho. Essas companhias implementaram iniciativas como salas de descompressão, onde se pode tocar instrumentos musicais, jogar videogames, tirar um cochilo em uma rede, relaxar em um pufe, receber uma massagem e até fazer as unhas. “Outra iniciativa interessante é a possibilidade de flexibilizar o dress code e deixar as pessoas livres para ser quem elas são”, explica Renata, que acredita na importância dessas atitudes para que as empresas retenham talentos.

Mas, se você não trabalha em uma empresa revolucionária como essas, saiba que nem tudo está perdido. Você mesmo pode tomar iniciativas para cultivar – ou recuperar – aquela alegria de acordar cedo na segunda-feira e dar o seu melhor para o mundo.

Identifique e combata os sinais

Às vezes, nos habituamos de tal forma a uma situação negativa que deixamos de enxergá-la de maneira crítica. O mesmo pode acontecer com um emprego que não nos faz felizes. Assim, acabamos por nos acostumar a um sentimento de infelicidade constante. Ou, pior ainda, acreditar na inverdade de que trabalho e felicidade são incompatíveis. Como, então, identificar a infelicidade antes que ela possa tomar proporções insustentáveis e, além de atrapalhar sua performance no trabalho, chegar a um quadro de saúde mais grave? Renata Fornazzari destaca alguns sinais para ficarmos atentos e fala sobre como podemos combatê-los.

Baixa performance

Repare como andam as suas entregas e tente fazer um comparativo entre seu nível de satisfação atual e como era quando sua produtividade era mais alta;

O que fazer: é muito provável que você tenha entrado em uma zona de conforto e o trabalho tenha se tornado fácil demais. Faça uma reflexão e, se for o caso, diga a seu chefe que gostaria de receber tarefas mais desafiadoras;

Faltas

Se você tem procurado cada vez mais motivos para se ausentar do trabalho, repense sua postura e tente compreender quais são os aspectos que fazem você preferir ir ao médico, por exemplo;

O que fazer: ”primeiramente, é importante questionar-se sobre as razões de permanecer nesse trabalho. O que a empresa tem para me oferecer? Consigo desenvolver minhas atividades de maneira satisfatória? Será que eu compreendi o meu propósito aqui?”, sugere Renata. Essas questões podem ser o início de uma busca por um novo emprego ou até mesmo uma mudança de carreira;

Sintomas físicos

Em alguns casos, a insatisfação com o trabalho chega ao ponto de extrapolar para o corpo. Portanto, se você notar manifestações como enxaquecas, pensamento acelerado, impaciência, problemas gástricos, falta de sono, alterações no apetite ou tensão muscular, fique atento;

O que fazer: “é importante procurar um especialista (pode ser um psicólogo, a princípio) para identificar se é uma insatisfação de momento ou se precisa ter algum acompanhamento clínico ou medicamentoso, por exemplo”, explica Renata. Se for um descontentamento momentâneo, vale tentar as dicas anteriores, mas em caso de um diagnóstico mais sério, reflita se vale a pena sacrificar sua saúde e bem-estar para manter-se nesse trabalho ou nessa posição. E não tenha medo de mudar de rumo, se não enxergar possibilidades de transformar seu relacionamento com o emprego atual (aqui você encontra dicas para conduzir bem uma transição de carreira);

Desânimo e falta de interesse

Será que o seu relacionamento com o trabalho caiu na rotina? Ou será que esse desânimo é um sinal de que você não está conectado com suas verdadeiras ambições? Essa é uma reflexão que vale a pena fazermos constantemente;

O que fazer: encontre propósito no que você faz. “A felicidade também é resultado de um trabalho em que sentimos que estamos gerando algo positivo para o mundo. Além disso, para ter satisfação com o que se faz, é importante que o trabalho esteja conectado aos nossos valores”.

Dica de ouro – o que fazer mesmo quando se está feliz no trabalho

Assuma a responsabilidade pela sua felicidade profissional e tome decisões para orientar o futuro de sua carreira de forma estratégica. Autoconhecimento e autorresponsabilização são as chaves para uma vida – não apenas para uma carreira – muito mais plena e satisfatória. Tenha coragem e assuma riscos. Não se acomode: seja protagonista de sua história! “As pessoas têm uma tendência a responsabilizar o outro por suas insatisfações. A empresa é uma facilitadora, que pode oferecer oportunidades, mas é muito importante refletirmos sobre nossas próprias responsabilidades. Além disso, desenvolver autoconsciência e prestar atenção ao que já dominamos e ao que precisamos aprender”, conclui Renata.

Se não sabe por onde começar, pergunte-se: quais são meus talentos? O que eu realmente gosto de fazer? Como posso contribuir para tornar o mundo um lugar melhor? Se ainda assim sentir dificuldade para traçar um caminho, busque a ajuda de um consultor de carreiras.

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