5 soft skills para desenvolver em 2020

2019 está chegando ao fim e 2020 já bate à nossa...

Como lidar com um chefe autoritário?

Você certamente já teve – ou talvez ainda tenha...

Como criar uma rotina de trabalho saudável

Não é nenhuma novidade que estamos trabalhando...

Como desenvolver soft skills?

Se você acompanha o PraCarreiras, já sabe que as...

Como lidar com um colega de trabalho tóxico

Lidar com pessoas não é simples, mas também não...

5 coisas para fazer quando você estiver desempregado

Você está desempregado? Só no segundo trimestre...

Como ser persistente no trabalho

Aprender como ser persistente no trabalho é...

Porque você deve considerar fazer um estágio no exterior

Trabalhar fora do Brasil é o sonho de muita...

Netweaving, o networking do futuro

O networking você já conhece: criar uma rede de...

Nadador profissional: uma vida de garra e superação

Não é à toa que ele é chamado de Tubarão...

O que é fisioterapia neurofuncional?

A fisioterapia é, certamente, uma das profissões mais interessantes da área da saúde. Afinal, o fisioterapeuta atua – entre outras coisas – no tratamento de lesões como fraturas e torções, por meio de exercícios, massagens e diversas técnicas, com o intuito de acelerar a recuperação dos pacientes. Esse profissional é um profundo conhecedor do funcionamento do corpo humano, especialmente, dos ossos, nervos e articulações. Ele sabe como estimular as estruturas físicas para promover resultados efetivos e seguros, mesmo diante de quadros graves.

Mas, além de conhecimento técnico, um bom fisioterapeuta deve ter empatia e estar aberto a conhecer e compreender o outro. “Fisioterapia é um processo. Há início, meio e, em muitos casos, não há fim. Nesse processo, há uma interação e um aprendizado mútuos. Nós, como profissionais, aprendemos muito com cada paciente”, comenta Martim Pinto, que hoje atua como fisioterapeuta neurofuncional.

Mas o que é, afinal, a fisioterapia neurofuncional?

Embora a carreira em fisioterapia seja relativamente ampla, nessa entrevista vamos focar na fisioterapia neurofuncional e conhecer seus desafios de oportunidades. “A fisioterapia neurofuncional é a área que promove a reabilitação funcional nos casos de danos no sistema nervoso, cérebro, medula e outros eventos que abrangem a área neurológica”, explica Martim. Conheça mais sobre a profissão a seguir.

Quanto ganha um fisioterapeuta neurofuncional? O salário desse profissional é, em média, R$ 2.215,14 (Fonte: Salário.com.br)

PC: Quando e por que você decidiu ser fisioterapeuta?

Em 1999, trabalhava na área de Propriedade Intelectual. Eu era assistente do setor jurídico e internacional de uma empresa de marcas e patentes. Entre minhas funções diárias, eu fazia o acompanhamento do processo para registro de marcas de clientes brasileiros no exterior e de clientes estrangeiros no Brasil, edição/revisão de notificações extrajudiciais, correspondências… Eu gostava muito do que fazia, no entanto, minha rotina resumia-se na relação com papéis. Lembre-se que no início dos anos 2000, não havia smartphones, reuniões por Skype, etc., a tecnologia era bem diferente (o mundo e a sociedade tinham outras necessidades), e muitos procedimentos ainda eram realizados à base de papéis e telefone.

Assim, senti a necessidade de viver uma nova experiência profissional que estivesse relacionada à saúde, de maneira que envolvesse o corpo físico e a área psicológica de um ser humano. Ingressei no curso de fisioterapia em 2001, me formei em 2004, e durante 2005 fiz especialização em fisioterapia neurofuncional na Santa Casa de São Paulo (diga-se de passagem, minha grande escola no setor técnico e humanístico).

PC: O que é fisioterapia neurofuncional? Por que você se especializou nessa área?

A fisioterapia neurofuncional é a área que promove a reabilitação funcional nos casos de danos no sistema nervoso, cérebro, medula e outros eventos que abrangem a área neurológica. Como exemplo de casos tratados, posso citar doença de Parkinson, esclerose múltipla, AVC, traumatismo cranioencefálico, entre outros.

A minha identificação com essa área deu-se quando iniciei a disciplina de neuroanatomia, pois vi na fisioterapia neurofuncional o elo entre o físico, o emocional e o comportamental. Evidente que nas outras especializações há o mesmo elo, no entanto, a neurofuncional pareceu-me instigadora, pois lidamos com pessoas com doenças sem cura (mas não só!) e com diversas situações em que o comportamento diário da pessoa interfere positiva e negativamente no tratamento. Fisioterapia é um processo. Há início, meio e, em muitos casos, não há fim. E nesse processo, há uma interação e um aprendizado mútuos. Nós, como profissionais, aprendemos muito com cada paciente. Penso que todo ser humano tem uma história de vida interessante. Como passamos certo tempo com cada paciente, frequentemente dá-se uma relação de confiança e aprendizado mútuo.

PC: A área de fisioterapia parece vasta. Afinal, em que campos esse profissional pode atuar, além da fisioterapia funcional?

A área de fisioterapia cresceu muito. Nas décadas de 80 e 90, a fisioterapia era relacionada à massoterapia pelo senso comum. Não se sabia ao certo o que um profissional dessa área fazia. Na minha opinião, algumas ações impulsionaram o desenvolvimento da área. Posso citar a criação da rede Sarah Kubitschek (pelo presidente Juscelino Kubitschek), a rede AACD, o TELETON e, atualmente, a Rede Lucy Montoro. Soma-se a isso a autoestima e a valorização interna dos profissionais (diga-se de passagem, penso que está em processo também).

O fisioterapeuta atua na prevenção e na reabilitação (tratamento). Podemos atuar nas especializações (ortopedia, neurofuncional, desporto, dermato, cardiorrespiratória, etc.) em hospitais, clínicas, espaços de saúde, consultório e empresas (saúde ocupacional).

PC: Certamente você já lidou com casos de reabilitação muito desafiadores…

Todo caso em neurofuncional é desafiador. A doença pode ser a mesma, as técnicas também, mas o tratamento não é igual. Cada pessoa age e reage de maneira singular, logo, uma sessão ou tratamento não é igual a outra, ainda que usemos os mesmos procedimentos.

Eu tive vários casos que desafiaram não só o conhecimento técnico quanto a habilidade emocional exigida. Com o passar do tempo, o repertório de experiências aumenta, mas sempre aprendemos! São várias histórias!

PC: Só para exemplificar, pode compartilhar alguma dessas experiências marcantes da sua atuação na fisioterapia neurofuncional?

Uma delas ocorreu durante a especialização. Eu fazia atendimentos no ambulatório, na enfermaria e na UTI.

Na enfermaria havia três crianças com doenças raras. Duas delas com a síndrome de Werdnig Hoffman, caracterizada pela ausência de movimento funcional (isto é, movimento que tenha alguma função) em todos os músculos do corpo, mas o intelecto íntegro. Traduzindo: corpo sem movimento com inteligência e compreensão íntegras.

Houve uma identificação e afeição entre mim e uma delas, o Sérgio, ou, para nós, apenas Serginho (de 6 anos). Como profissional, tinha que promover reabilitação em um corpo em condições desfavoráveis ao bem-estar. Ele (assim como os outros dois) nunca tinham saído do hospital. Nasceram e lá ficaram. Alimentavam-se por sonda e nunca tinham sentido o gosto de qualquer alimento. Mas o intelecto estava perfeito, rápido, astuto.

Toda aquela situação mexeu com o meu interior, pois queria proporcionar o melhor possível, mas havia um limite dado pela ausência de movimento e pela necessidade de aparatos como sondas, traqueostomia, sensores, etc. Mesmo traqueostomizado, conversávamos, nos entendíamos, e entre um intervalo e outro de um exercício, eu aproveitava para ensinar os números em inglês a ele. Era um prazer estar com ele. Mesmo dentro de um corpo pequeno, foi um grande professor para mim. E certamente para todos que passavam por aquele leito.

PC: Que lições você pode compartilhar como resultado do que aprendeu com ele?

Minha lição ali estava relacionada à percepção positiva de nossa dinâmica de vida ainda que em situações que contrastam com o nosso bem-estar e alegria. Por mais que estejamos vivendo (com gerúndio mesmo… risos) uma situação oposta ao que desejamos, temos que ativar a nossa força interior e ampliar a nossa percepção de que a nossa vida é muito maior do que o momento. Embora veja toda situação como um aprendizado.

“Vejo na fisioterapia funcional o elo entre o físico, o emocional e o comportamental”

PC: Trabalhar com a saúde humana traz grande responsabilidade e, além disso, exige preparo psicológico. Como você trabalha a mente para não deixar que um quadro difícil afete o seu julgamento profissional?

É necessário ter educação emocional/mental para a preservação do seu bem-estar. Penso que esse comportamento é um processo que conquistamos ao longo do tempo.

PC: Quais são as habilidades que você acredita serem fundamentais para se sair bem na fisioterapia neurofuncional?

– Compreender a realidade, prioridades e necessidades de cada pessoa;

– Planejamento (metas a curto, médio e longo prazo);

– Inovação (propor melhorias, alternativas).

PC: Como é o mercado de trabalho para os fisioterapeutas? O profissional é valorizado no meio? Quais são, portanto, as perspectivas de futuro para a profissão?

O mercado de trabalho nessa área mudou. Antes, na sua maioria em hospitais, em clínicas. Atualmente muitas vagas estão direcionadas à home care [atendimento domiciliar]. Nas instituições de saúde (hospitais e clínicas), os fisioterapeutas estão sobrecarregados. Poderia haver maior número de contratações nessa área. Mas o que ocorre é que um profissional fica sobrecarregado pelo número de atendimentos que tem que realizar por dia de trabalho. Acredito que isso aconteça devido à redução de custos que a maioria das organizações vive.

A valorização é inquestionável no meio de reabilitação. Entretanto, isso não se aplica à valorização monetária.

Para mim, as perspectivas estão associadas à robótica. É uma área que tem se desenvolvido cada vez mais. Máquinas/robôs que auxiliam a realização de movimentos, softwares que facilitam e agilizam avaliações, bem como pesquisas científicas acontecendo em todo o mundo.

PC: O que é sucesso para você?

Para mim, o sucesso está relacionado à autorrealização. O sentimento de se sentir realizado com o que você faz no momento. Não importa se é o seu trabalho, profissão ou cargo, mas necessariamente você se sentir bem no que realiza. Soma-se a isso, as emoções alegria, satisfação e bem-estar proporcionadas pela sua atuação (no seu ramo profissional ou não).

Futuro do trabalho: como sobreviver à era da automação?

O que será do futuro do trabalho? Com as máquinas e a inteligência artificial ganhando espaço, é comum a insegurança em relação aos próximos anos.

Porém, essa também pode ser uma oportunidade de ouro. Tanto para demonstrar o seu valor como um profissional com soft skills sólidas. Como alguém com capacidades relacionais que farão a diferença.

Qual o futuro do trabalho?

Segundo Monique Cipriano, coordenadora de gente e gestão da Printi, a tecnologia tem – e terá cada vez mais – espaço no nosso dia a dia. Mas esse pode ser um bom sinal.

“Hoje podemos observar um movimento do mercado em que ele se preocupa muito com o soft skill das pessoas. São as habilidades comportamentais de cada profissional, o lado que a tecnologia não alcança. A criatividade, a capacidade de enxergar solução de maneira rápida e prática para os problemas, a empatia e, principalmente, o senso de dono que inspira o profissional a ir sempre além do que lhe foi proposto”, diz.

Ou seja, mais do que habilidades técnicas, o que o mercado vai continuar buscando são os skills comportamentais de cada um. Além do que você conhece de engenharia, direito, informática ou design, a sua performance e entrega terão outro ponto focal. Agora, tudo estará centrado na sua habilidade de transitar por diferentes projetos, lidar com pessoas de diferentes perfis e ter resiliência e flexibilidade para lidar com mudanças constantes na empresa (o que é muito comum em startups).

Tudo isso garante uma curva de aprendizagem e desenvolvimento menor. E isso aumenta o seu nível de adaptação e, de quebra, a sua entrega e valor dentro da própria empresa.

A importância de trabalhar com propósito

Mas, não se engane. Não é só você que vai precisar mudar as suas prioridades e a forma como você se relaciona com o trabalho. As empresas também passarão por esse processo.

Segundo Monique, deixar o propósito cada vez mais claro será essencial para atrair talentos que estão alinhados com a sua meta.

Por isso, para encontrar funcionários engajados, as empresas vão precisar atribuir valor e propósito às suas estratégias e cultura interna. É isso que vai gerar uma atuação mais expressiva no dia a dia. “A Geração Y sente a necessidade de enxergar sentido no que está fazendo, precisa entender o real impacto que aquela atuação vai causar em determinada ação e assim se sentir muito mais parte do sistema e de algo maior”, completa.

Aliás, se a empresa em que você trabalha ainda não tomou a iniciativa de clarear o seu propósito… Nada impede que você comece esse processo buscando por isso nas suas funções atuais.

Já comentamos como o trabalho voluntário, por exemplo, não só é uma ótima maneira de ajudar com a sua comunidade como, de quebra, desenvolver soft skills e tornar o seu currículo mais atrativo. Uma ideia é acrescentar atividades desse cunho no dia a dia da empresa ou aproveitar ao máximo os projetos oferecidos por ela.

“Muitas empresas oferecem atividades voluntárias, ações pelo meio ambiente ou programas que impactam a sociedade de alguma forma. Um jeito de garantir que você vai exercitar algo com propósito além da sua atuação convencional é saber mais sobre as iniciativas das empresas, pesquisar, questionar… E caso a sua ainda não tenha, quem sabe não seja uma boa hora de implantar algo novo. Ou mesmo entender de que forma o seu trabalho pode ser ressignificado e agregado com mais propósito”, diz Monique.

Mantenha-se otimista, mas também atualizado

Pois é, a tecnologia vai continuar evoluindo e se tornando cada vez mais parte do dia a dia profissional. Mas isso não significa que os seres humanos perderão espaço para elas. Pelo contrário, esta é a hora de desenvolver ainda mais as suas habilidades humanas. Isso porque elas serão o diferencial daqui em diante.

“Um programa de inteligência artificial pode até trazer dados importantes sobre uma situação específica. Mas somente uma pessoa tem capacidade de avaliar aquele número e a partir dele agir com uma tomada de decisão”, reflete Monique. “As máquinas têm assumido um papel muito importante para as empresas que hoje trabalham com automação e soluções mais ágeis. Mas não substituem a ação humana, uma vez que o controle dessas máquinas, parte de um de nós”.

Em resumo, se você pretende trabalhar por muito tempo ainda, saiba: mais importante do que ter uma habilidade técnica, mantenha-se atualizado. É importante se especializar no uso das novas ferramentas. Isso garantirá o seu espaço e relevância na nova fase do mercado de trabalho.

Como usar o LinkedIn para crescer profissionalmente

Muito já se falou sobre o uso do LinkedIn por aqui. Porém, uma coisa é certa: ele é muito mais do que uma rede social. Por isso, conversamos com Raquel Amaral, especialista na rede e em recolocação profissional, para saber como a página pode ajudar você a crescer profissionalmente

Como crescer profissionalmente com o LinkedIn

Vamos lá! O primeiro ponto que Raquel atenta é que o LinkedIn é muito mais do que uma rede de networking. “A rede social firmou-se como a maior plataforma de negócios, ganhando papel estratégico tanto para empresas quanto para profissionais”, explica ela. 

Além disso, o LinkedIn também é a plataforma que mais gera vagas de emprego. Ou seja, é mais do que importante ter um perfil ativo por lá se você pensa em crescer na carreira. “Todo o meu negócio é gerado pelo LinkedIn. Atendo mais de 300 clientes por mês para assessoria de carreiras, cursos e mentoria. Assim como eu, existem vários profissionais que dependem exclusivamente dele”, conta. 

Mas como crescer profissionalmente com o uso da ferramenta? Pois bem, existem algumas dica que Raquel compartilha, sendo a primeira delas o próprio networking. Sim, parece contraditório, mas você não só pode como deve usar a rede como um portfólio para as suas conquistas e realizações, assim como projetos, prêmios, cursos e outros. “Dessa forma, o profissional começa a ser admirado pelos seus contatos, que geralmente são profissionais de RH e contratantes. Assim, ele gera interesse dos concorrentes, clientes e, principalmente, headhunters que estão sempre em busca do candidato perfeito para os seus clientes”.   

Estou no começo da carreira. O que fazer? 

Para Raquel, assim como um profissional já estabelecido pode aumentar o seu valor de mercado, alguém em começo de carreira também pode usufruir da rede com esse fim. “O LinkedIn pode ajudar no crescimento da sua carreira profissional. Ele mesmo oferece diversos cursos de aprimoramento, além de especialistas que, como eu, sempre dão dicas gratuitas sobre carreiras e currículos. Se a pessoa for esperta, ela absorve o conteúdo e coloca em prática, conseguindo evoluir dentro da sua área”. 

Atenção ao que você posta no LinkedIn

Aliás, falando em profissionais que postam por lá, aqui vai uma dica importante: atenção ao que você publica. O LinkedIn é uma rede estritamente profissional, ou seja, ele se alimenta de publicações que tenham esse viés. 

Priorize informações sobre o mercado em que você atua, benefícios sobre produtos ou serviços que você presta, utilidades públicas (como cursos gratuitos), até artigos relevantes sobre carreiras ou a sua área de atuação. “Tudo isso contribui para que o mesmo consiga ganhar visibilidade na rede”, completa Raquel. 

Atenção também ao seu perfil

Se você quer crescer profissionalmente, claro, não pode deixar de manter o seu currículo atualizado e com os seus principais destaques. No seu perfil do LinkedIn, não podem faltar algumas informações essenciais, como: 

  • Habilidades profissionais; 
  • Competências;
  • Especialidade no mercado. 

Para Raquel, esse último ponto é importantíssimo. Isso porque, além de nichar a sua área de atuação, também garante que você esteja disponível para atividades que estão além do que o cargo ou função exige – por exemplo, um profissional da área financeira que também é especialista em auditoria e cobranças. 

A função do LinkedIn é maior do que gerar empregos

A especialista explica que a rede pode, também, ajudar um profissional a encontrar o melhor caminho para crescer profissionalmente. Ela diz que começou na rede em busca da recolocação, mas viu ali uma oportunidade de empreender. Hoje, tem mais de 250 mil pessoas acompanhando o seu perfil e uma equipe com seis pessoas, tudo por causa da ferramenta. 

Com isso, ela quer dizer que é possível você, inclusive, encontrar novos rumos para a sua carreira através da rede social. Mas, para isso, é preciso ficar atento ao que você faz por lá, com quem se conecta e o quanto crescer profissionalmente é um desejo seu. “O LinkedIn mudou a minha vida e, através dele, eu mudo a vida de muitos profissionais”, finaliza. 

Videomaker: do roteiro à finalização

Muito antes de tornar-se um videomaker, a magia do cinema já inspirava Theo Grahl Trindade. “Assisti a Indiana Jones e quis ser arqueólogo, via filmes de investigação e queria ser advogado… demorei um pouco para perceber que poderia criar as minhas próprias histórias”, relembra.

Depois de formar-se em Publicidade e Propaganda, abrir a própria agência e, em dois anos, ver-se obrigado a fechá-la, Theo decidiu entrar em contato com sua paixão, da maneira como era possível. Foi trabalhar em uma grande locadora de filmes e começou sua “formação” na arte do audiovisual, absorvendo o máximo que podia das obras a que tinha acesso. Com o dinheiro que conseguiu juntar, pagou um curso de operador de câmera e, antes mesmo de terminar, conquistou seu primeiro emprego como cinegrafista em uma produtora de vídeos.

Hoje, aos 43 anos, comanda sua própria empresa, a Mombak, focada em produção audiovisual, mas com personalidade própria. “Meu olhar está na produção, no contar a história, em vivenciar essa experiência que é a produção de um vídeo. Isso me inspira e me faz enfrentar as dificuldades”, conclui.

Muito além do play

Nessa entrevista, Theo fala sobre os desafios e conquistas de tocar o próprio projeto e dá dicas valiosas para quem deseja ingressar na carreira de videomaker.

Ele explica que esse profissional é responsável por todos os processos de produção de um vídeo: roteiro, captação, edição e finalização. “No meu entendimento, o videomaker prefere ter o controle do resultado do vídeo. Tem uma visão geral daquela peça e gosta de estar presente em todas as etapas, é o especialista do processo e não apenas do resultado.”

Quanto ganha um videomaker? O salário desse profissional pode chegar a R$ 5.000 (Fonte: Trampos)

PC: Você é formado em publicidade, certo? Como foi seu caminho até descobrir que o audiovisual era o que você queria?

Sim, me formei em publicidade e propaganda. Sou apaixonado por cinema desde pequeno. Pensando em minha formação, sempre me influenciei pelo cinema: assisti Indiana Jones e quis ser arqueólogo, assistia filmes de investigação e queria ser advogado… demorei um pouco para perceber que poderia criar as minhas próprias histórias.

Depois de me formar, montei uma agência de publicidade com um amigo da faculdade. Foram mais ou menos dois anos de empresa, mas éramos muito novos, não tínhamos uma percepção de mercado. Nossa veia empreendedora era focada na criação apenas, não tínhamos o ímpeto comercial e isso foi crucial para chegarmos ao ponto de terminar a sociedade pela falta de clientes.

Na época, minha filha tinha seis anos, as contas não paravam de chegar, o tempo estava passando e o sonho de trabalhar com audiovisual persistia. Tomei uma decisão: fui atrás de um emprego fixo e também do meu sonho. Vi um anúncio no jornal com uma vaga de atendente em uma locadora de filmes. O salário era suficiente para pagar as contas. Meu pensamento foi “esse é o começo”. E foi.

PC: Como você conduziu esse início?

A locadora tinha o maior acervo de filmes do Brasil e ficava em Higienópolis [bairro de São Paulo]. Eu pegava um filme por dia, mas em vez dos blockbusters, escolhia filmes de arte, clássicos, filmes dos grandes diretores. Foi minha escola sobre a história do cinema. Boa parte do público da locadora era de pessoas que trabalhavam na área e, com isso, eu tinha um contato com o mercado.

Foram seis meses na locadora, tempo para juntar uma grana para me matricular no curso de operador de câmera do SENAC. Na mesma época, voltei a fazer trabalhos freelancer de design, o que garantia o dinheiro das contas. O curso teve duração de seis meses, mas antes de terminar, meu professor me indicou para uma produtora. Foi meu primeiro emprego fixo como cinegrafista e lá conheci o futuro sócio da minha segunda empresa.

PC: O que faz um videomaker? Até onde vai o trabalho desse profissional?

Videomaker é uma pessoa que faz “sozinha” toda a produção de um vídeo. Roteiro, captação, edição e finalização. Dependendo do tamanho da produção, ele pode contar com outras pessoas para ajudar, mas ele estará em contato em todas as etapas.

Para deixar mais claro, numa produção simples – um vídeo de conteúdo de marca para uma empresa, por exemplo – ele se reúne com o cliente para a definição do briefing, elabora o roteiro do vídeo, faz toda a produção da captação, muito provavelmente é o diretor e diretor de fotografia, edita e finaliza o vídeo.

No meu entendimento, o videomaker é um profissional que prefere ter o controle do resultado do vídeo. Ele tem uma visão geral daquela peça e gosta de estar presente em todas as etapas, é o especialista do processo e não apenas do resultado. O “COMO” o processo acontece é o que mais me inspira.

PC: Hoje você tem sua própria empresa, mas já passou por produtoras de vários portes. O que fez você preferir abrir seu próprio negócio?

Como disse anteriormente, já tive outras empresas e trabalhei para outras produtoras. Como tudo na vida, cada experiência é importante, principalmente para você se encontrar e se aceitar. Todas essas experiências foram incríveis e serviram para que eu me entendesse melhor.

Tenho minhas características e hoje aceito os meus limites e minhas ambições. Entendo que tenho uma veia empreendedora e uma visão de como os projetos serão guiados. Ter o meu próprio negócio tem a ver com o meu jeito de ser e com a minha maneira de enxergar a vida.

Meu olhar está na produção, no contar a história, em vivenciar essa experiência que é a produção de um vídeo. Isso me inspira, me faz enfrentar as dificuldades, estar nesse lugar de contato e isso se reflete no resultado e até mesmo no processo. Sempre recebo comentários de que trabalho com um sorriso no rosto e isso é incrível, porque, às vezes, estou preocupado com as questões que aparecem durante a produção e, sem perceber, minha feição não demonstra essa preocupação. Acho que é um propósito participar da criação de histórias e poder contá-las com meu olhar.

PC: Quais os desafios e vantagens desse modelo de trabalho?

Não gosto da palavra “negócio”, me parece que transformamos algo vivo em algo sem vida, prefiro projeto. Tocar o meu próprio projeto é um desafio diário, é estar em contato com as decisões que nada mais são do que renúncias. Nem sempre será o que queremos, mas o que o projeto precisa. Alguns momentos exigirão decisões difíceis e nos trarão sentimentos contraditórios. O trabalho é árduo e constante, o comprometimento é ininterrupto. As vitórias serão uma para cada 10 batalhas, mas a cada batalha, mesmo perdida, andamos nove passos para frente. Afinal, são os desafios, em si, que nos fazem avançar. Agradeço pelas dificuldades e fico feliz pelas conquistas. Mas comemorar, só mesmo os aniversários.

Theo Grahl: desafios e oportunidades da carreira de videomaker
“Acompanhe o mercado, mas foque no seu trabalho. Focar na concorrência não te fará melhor”
(Foto: Lucas Aldi)

PC: Acredito que um dos principais desafios de empreender como videomaker é conseguir clientes. Como você construiu/constrói o seu portfólio de clientes?

A realidade de uma empresa pode determinar a maneira como a captação de clientes é feita. No meu caso, nada melhor do que um trabalho bem feito. E melhor do que um vídeo bonito é a maneira como você se relaciona com os clientes.

Faço minhas divulgações, tenho o tempo de prospecção, mas quando se é “individual”, o boca a boca é o melhor meio. Então, dentro do possível, tento pegar o máximo de trabalhos, pois é aí que as conexões são feitas. Às vezes, a remuneração não é a melhor, mas a intuição fala para seguir, sigo e, lá na frente, esse job simples pode se converter em outros e agregar outros clientes.

Com o tempo você aprimora esse filtro, sua intuição está afiada e te ajuda nas decisões, mas é preciso estar aberto para o que vier, seja bom ou ruim.

PC: Existe algum caminho ou “segredo” para se tornar um bom videomaker? Por onde você acredita que é possível começar?

Existe um estudo que identificou que uma pessoa se tornará muito boa naquilo que faz quando atingir 10.000 horas de prática. Então, nada melhor do que gravar e editar: teve uma ideia, faça; está com tempo livre, grave; tem um monte de captações, edite.

Produção audiovisual exige técnica e investimento. Hoje em dia, os equipamentos estão mais acessíveis, um celular pode gravar imagens de qualidade. Por isso, se tem uma ideia na cabeça e um celular na mão, realize. Cursos são bons para aprimorar e aumentar a rede de contatos, mas para alcançar 10.000 horas, são os minutos que te ensinarão.

PC: Que características/habilidades deve ter um videomaker para se destacar na profissão?

Penso que, em qualquer profissão, ou mesmo na vida, ter comprometimento, sinceridade, humildade, ambição, um “teco” de paixão, escuta e empatia são características que podem te ajudar a ser uma pessoa melhor e, consequentemente, um profissional melhor. Minha experiência mostra que, nem sempre, os clientes querem o vídeo mais incrível, mas, sim, um profissional que seja um parceiro e acredite no projeto.

Minha sugestão é que você seja sua melhor versão. Não separe o profissional do pessoal, mas entenda a situação e o momento em que você se encontra e tente tomar a melhor decisão. Isso significa respeitar os seus limites e também entender as necessidades dos clientes. É o equilíbrio entre você e o outro.

PC: Com a recente popularização das plataformas de compartilhamento de vídeos (como youtube, IGTV, etc.) esse mercado ficou mais concorrido? Ou as oportunidades de trabalho na área aumentaram? Isso teve impacto no seu trabalho?

As duas coisas: mais plataformas são mais oportunidades. Porém, o campo se abre para mais pessoas produzirem. Penso que em todas as áreas é assim, a concorrência sempre existirá. Por isso, acompanhe o mercado, mas mantenha o foco no seu trabalho, pois focar na concorrência não te fará melhor, apenas trará mais incertezas e, com elas, vem o medo. E medo em excesso paralisa. Mantenha-se atualizado, acredite em você e faça.

Todas essas transformações foram positivas. Hoje consigo produzir com muita qualidade, manter o meu DNA a um custo mais baixo, tudo se encaixa.

PC: A sua empresa não se limita à produção audiovisual. Como você definiria o trabalho da Mombak?

A ideia primordial da Mombak é a contação de histórias. É esse o nosso eixo. Existem várias maneiras de se contar histórias, nosso DNA é o audiovisual dentro disso.

PC: O que é sucesso para você?

Sucesso é uma palavra que o ser humano inventou para diferenciar as pessoas que possuem interesses diferentes. Sucesso não é uma emoção, não é um sentimento, é apenas uma palavra.

Ser bem-sucedido é relativo: para alguém com depressão, ser bem-sucedido é um dia sem tristeza; para um ansioso, é um dia sem pressa; para mim, ser bem-sucedido é continuar a minha história.

Direito moderno: advogado e mediador

Antes de mais nada, o advogado deve ser um grande conhecedor das leis. Não apenas para defender os direitos de seus clientes, como também para adverti-los. Mas as demandas da atualidade criam a necessidade de uma nova maneira de atuar. O número de processos nos tribunais brasileiros tem aumentado consideravelmente, o que exige do advogado um papel muito mais preventivo. Assim, o Direito moderno pede novas habilidades desse profissional. “Além de toda a técnica jurídica, o advogado precisa ter o dom de lidar com pessoas. Se não conseguir convencer a pessoa de uma ideia de forma que ela queira ouvir, você não vai ter êxito no trabalho”, explica Leonardo Ward Cruz, fundador da Ward e Toledo Piza Advogados.

Um profissional do Direito moderno

Nessa entrevista, Leonardo Ward Cruz conta como sua trajetória culminou na abertura de sua empresa. Foi voluntário no gabinete de um juiz, atuou em pequenos e grandes escritórios, tornou-se funcionário público. Abriu mão de grandes salários e, com humildade, foi bater à porta de conhecidos, em busca de clientes. Mas seu espírito empreendedor e um olhar para o bem-estar emocional de seus clientes, o levou a idealizar um modelo de negócios que tivesse a ver com suas convicções. “Eu queria criar um escritório de advocacia que tivesse um diferencial. Hoje nós usamos a conciliação para solucionar conflitos”, conta.

Confira a entrevista completa a seguir e saiba muito mais sobre a profissão de advogado e como ela pode transformar o Direito moderno.

Quanto ganha um advogado? O salário de um profissional de nível sênior gira em torno de R$ 8.720 (Fonte: Glassdoor)

PC: Como você chegou até o momento profissional em que se encontra hoje?

No último ano da faculdade, 2008, comecei um estágio em um escritório grande chamado Siqueira Castro, onde atuava na área cível, com direito do consumidor. No final do curso, tinha que conciliar o estágio, o trabalho de conclusão de curso e os estudos para a prova da OAB. Decidi, então, ir para um escritório menor, com uns 15 funcionários. Me formei em 2008 e passei na OAB. Nessa época, participei de um processo seletivo super burocrático para a PricewaterhouseCoopers, uma multinacional de auditoria e consultoria. Passei e comecei a trabalhar com direito tributário.

Em 2010, fiz pós-graduação em processo civil na PUC, ao mesmo tempo em que trabalhava na Price. Um dos professores me disse que ia virar juiz substituto em segundo grau, uma espécie de desembargador. Ele estava montando uma equipe e me convidou para fazer parte. Eu viraria funcionário público, com um cargo indicado, comissionado. Saí da Price, uma multinacional aberta ao mundo, para virar funcionário público do Tribunal de Justiça de São Paulo. Fiquei lá por cerca de dois anos. Quando chegou o final do segundo ano, eu estava muito infeliz. O trabalho era muito monótono, exclusivamente intelectual. Nesse meio tempo, um amigo empresário disse que estava precisando de um advogado, pediu indicações e eu me ofereci para trabalhar com ele.

PC: Algumas pessoas achariam loucura sair de um emprego relativamente estável e bem remunerado para ganhar bem menos. O que te motivou a fazer isso?

Todos os lugares por que passei, fui testando para ver o que realmente me fazia feliz. Como funcionário público, todo mês pingava aquele salário na minha conta. Mas, por outro lado, estava preso àquilo. Ganhava, na época, 12, 13 mil reais, e saí para ganhar dois e meio. Voltei a trabalhar em escritório pequeno, mas sabia que tinha possibilidade de crescer. Tenho uma cabeça meio de empreendedor, queria ter meu próprio negócio e me desenvolver cada vez mais. Decidi, então, ir atrás de clientes. Fiz uma lista de todas as pessoas que eu conhecia e comecei a buscar, bater na porta das pessoas. Comecei com um cliente só e, em pouco tempo, tinha conseguido uma carteira muito boa de clientes. No meio do ano, eu já tinha ganhado o dobro do que eu ganhava no tribunal.

PC: E quando decidiu que era o momento de fundar seu próprio escritório?

Fiquei dois anos e meio nesse escritório, mas chegou uma hora em que não estava mais valendo a pena. Fundei o Ward e Toledo Piza em janeiro de 2016 com meu sócio Renato de Toledo Piza.

Leonardo Ward ao lado do sócio Renato de Toledo Piza

PC: Como você buscou se diferenciar de outros escritórios de advocacia quando fundou a Ward e Toledo Piza?

Eu acredito que a maneira como eu atuo hoje reflete até mesmo minha trajetória de vida. Fui pai muito jovem, tive que amadurecer muito cedo. Por isso, hoje, eu tento evitar o litígio o máximo possível para tentar solucionar conflitos. Por exemplo, recentemente atendi uma mulher que queria se separar do marido e chegou até mim super bélica. Eu conversei com ela, aconselhando que talvez uma briga judicial não fosse o melhor para os filhos dela. Sugeri que tentássemos resolver consensualmente com o marido, conversar e explicar como funciona. Tudo isso, visando o bem das crianças. Eu acredito que essa postura acaba até fidelizando o cliente.

PC: É interessante o quanto o advogado pode ajudar a resolver situações judiciais de maneira mais harmônica. Que características o advogado moderno deve ter que vão além do Direito?

O que vai além do Direito é muita leitura sobre psicologia humana e como é o relacionamento humano em si mesmo. O advogado, além de toda a técnica jurídica, precisa ter o dom de lidar com pessoas. Se não conseguir convencer a pessoa de uma ideia de forma que ela queira ouvir, você não vai ter êxito no trabalho, principalmente nessa solução primária.

Quando uma pessoa procura um escritório de advocacia, ela já está com a cabeça focada em briga. Então a gente acaba tirando esse pensamento primário. E, tudo isso, sempre visando a dignidade da pessoa humana. Porque quando se entra em um litígio, pode até ganhar, mas, em uma guerra, o vencedor também pode acabar sem um braço, sem uma perna, então o cliente pode acabar machucado. A arte de advogar no mundo de hoje inclui convencer as pessoas de que o modo menos bélico é o mais fácil para atingir a felicidade e o bem de cada um.

PC: Essa forma conciliadora e até preventiva de atuar no Direito não é considerada a mais lucrativa por muitos profissionais. Como você avalia o impacto disso nos negócios?

Eu discordo. A princípio, pode não ser a forma mais lucrativa de atuar. Mas, a longo prazo, é muito mais lucrativa, porque a pessoa que você convenceu de que o consenso é a melhor solução para o conflito, acaba sendo fidelizada. Ela chega até nós com o espírito de briga, nós a convencemos e resolvemos o problema, então ela acaba voltando. Ganha-se a confiança do cliente. Inflamar o cliente, dizer que se ele não entrar com tais e tais processos vai acabar perdendo algo é muito mais fácil e, por isso, muitos profissionais agem dessa forma. Mas, no nosso entendimento, não é a solução mais sadia para a pessoa. Por isso, a insistência nessa solução extra judicial para acabar com o conflito.

PC: Essa pode ser considerada uma forma moderna de advogar? Você acredita que a conciliação é uma tendência para o futuro da profissão?

Sim. Inclusive, no novo código civil, elaborado em 2015, existe uma série de normas sobre mediação e arbitragem. É o modo moderno de advocacia, com certeza. Até porque os tribunais estão extremamente cheios de processos, são milhões que ingressam diariamente. Por isso, a mediação pode ser um caminho para todos os novos profissionais da área.

PC: No início da sua carreira, você teve que buscar clientes para ter sucesso profissional. Que conselhos você pode dar nesse sentido para quem está começando?

O principal de tudo para quem quer buscar clientes e empreender na advocacia é a humildade de bater na porta das pessoas que você conhece e pedir uma oportunidade para mostrar seu trabalho. Esse é o principal fator para se ter um futuro promissor. Porque, muitas vezes, com uma única oportunidade, se tem humildade, você consegue mostrar seu trabalho.

PC: O que é assessoria jurídica preventiva?

A assessoria jurídica preventiva é um contrato. É a elaboração de contratos para prevenir eventuais brigas no futuro. Uma vez, escrevi um artigo sobre a informalidade do mercado publicitário. Tudo é muito verbal e depois fica difícil buscar o direito que foi adquirido. Acontece muito de as pessoas procurarem advogado só depois que o problema já aconteceu. É muito comum e acaba sendo mais burocrático, mais complicado e, o pior de tudo, mais caro. Por isso, nós focamos no preventivo. Mas o Brasil não tem essa cultura, embora estejamos passando por um processo de mudança nesse sentido. Só que, infelizmente, ou felizmente, o fato de as pessoas não pensarem de forma preventiva acaba dando problema.

PC: Talvez felizmente para os advogados…

Não só para os advogados, mas para todos os operadores do Direito. Porque se não existissem problemas, o Direito não existiria. Então, não é só pensando no Direito, mas em todos. Se não houvesse sonegação de impostos, não haveria fiscais, se não houvesse conflitos, não haveria a necessidade de juiz.

PC: Talvez por isso, mesmo com todas as mudanças que o mercado de trabalho, no geral, vem sofrendo na atualidade, as profissões que envolvem o Direito não devem morrer…

Eu acredito que, no futuro, a advocacia de massa, vai ser muito robótica, acredito que vão haver duas ou três teses que o robô vai acabar fazendo. Tem muita gente defendendo que a advocacia vai acabar, mas eu acredito que não, porque esse contato pessoal e o problema único de cada pessoa vai ter que ser solucionado por outra pessoa e não por um comutador. Se não, o código não teria mais de mil artigos. Eu acredito que a advocacia, especialmente a que fazemos aqui, que é mais personalizada, não vai acabar tão cedo.

PC: O que é sucesso para você? Considera-se bem-sucedido?

Sucesso é felicidade no trabalho. É acordar e ir para o escritório com satisfação. Não se sentir feliz só quando chega a sexta-feira. Aquela publicação comum na sexta me deixa desgostoso pelas pessoas que não são felizes o resto da semana. No domingo, eu vou dormir feliz pensando na minha semana, no que eu preciso resolver. Sucesso é isso. Não é reflexo de muito dinheiro no bolso, acredito que o sucesso está dentro de cada um. É estar feliz com o que você escolheu, e ter realmente escolhido e não deixado a vida levar.

Mudar de carreira é fácil? Entenda como fazer essa transição

Você já pensou em mudar de carreira? Acredite, será cada vez mais comum para os profissionais mudar de profissão de tempos em tempos. E, ao contrário do que muitos pensam, isso não é um problema. Pelo contrário, é uma solução.

Os fatores para fazer essa mudança são muitos. De os altos índices de desemprego, que forçam profissionais a buscarem outras soluções, até a própria insatisfação profissional.

Qualquer que seja a razão, a verdade é que mudar de carreira aos 30 ou aos 40. Pode dar medo, mas é mais importante você estar satisfeito profissionalmente do que continuar infeliz em uma carreira que não gosta.

De acordo com a headhunter Patricia Zito, que trabalha principalmente com contratações – ou seja, ela vê pelo lado das empresas -, existe uma grande dificuldade nesse momento. Os contratantes ainda veem no especialista um valor maior do que nos iniciantes. “Como o mercado busca muito especialistas, ele também, em geral, vai dar preferência para quem já é daquela área e não vai se abrir tanto a alguém que não tenha experiência com aquilo”, explica.

Afinal, como mudar de carreira?

Aliás, vale a pena, inclusive, usar a dica da profissional como um impulsionador. Se você quer mudar de carreira, esteja preparado para estudar bastante e se especializar de todas as formas que puder. Faça cursos, participe de eventos da área e busque entender bem o mercado para ter mais segurança na hora de procurar uma oportunidade profissional. 

“O que esse profissional precisa fazer é se envolver com esse novo setor ou essa nova carreira que busca”, diz . “De repente, você não tem experiência, mas fez uma especialização no tema, isso já é um ponto a favor. Falando de empresas, se você mostra envolvimento com o assunto, mesmo não tendo trabalhado com ele, já abre mais portas.”

Já comentamos bastante por como o LinkedIn é uma ferramenta importante para qualquer profissional. E, nessa hora, ela se torna ainda mais imprescindível. Aproveite a rede social para criar um networking sólido, se envolva em grupos e converse sobre o que tem estudado e aprendido. Isso, com certeza, facilita na hora de se colocar profissionalmente. 

Outro ponto importante: segundo a headhunter, o ideal é que você não foque na sua idade, mas que entenda como usar as suas experiências anteriores, quaisquer que sejam, a seu favor: “Como as experiências que você teve em outro setor podem agregar naquele ambiente que você está se propondo a atuar? Embora você não tenha experiência naquilo, o que você fez em outros setores vai trazer algo que colabora”.

Segundo ela, poucas empresas evitam contratar pessoas fora do setor em que atuam. Isso significa que elas deixam de olhar por outro viés e aproveitarem a visão limpa de alguém de fora e que ainda não está totalmente inserido no novo mercado.

Mas isso não quer dizer que você não tem chances. Vale a pena se preparar antes de qualquer entrevista de emprego – aliás, esse é um conselho válido independente da área ou do seu momento profissional. Prepare-se bem, entenda como usar a sua própria carreira a seu favor e esteja pronto para ser desafiado. Sendo alguém novo na área, a empresa vai questionar (bastante) porque você é a melhor escolha.

Porém, se você estiver disposto a aprender e dar o seu máximo, confie. As chances da mudança não dar certo são mínimas.

Estágio remunerado, onde procurar e como começar: respondemos todas as suas dúvidas

Se você está em vias de conseguir um estágio remunerado, ou está procurando trabalho agora que está na faculdade, deve ter muitas dúvidas. Mas, não se preocupe, nós temos todas as respostas que você precisa.

Conversamos com Nathália Paes, que trabalha com desenvolvimento de negócios em recursos humanos pela InfoJobs, para responder as principais perguntas sobre estágio. Aliás, logo de cara ela conta que a remuneração, o horário de trabalho e as áreas de atuação estão entre as principais perguntas de quem está entrando no mercado agora.

“Aqui entra um papel muito importante do RH ou consultoria que esteja realizando o processo, de ser muito transparente com o jovem e deixar tudo muito claro, pois neste momento a universidade ainda é o seu grande foco e o estágio precisa vir para somar e não atrapalhar”, explica ela.

Aliás, segundo a especialista em captação de talentos, a maior dificuldade está no quanto as empresas conseguem abrir uma vaga atrativa e com a capacidade de reter esse novo talento. “Hoje a oferta de estágio no mercado é muito grande, e o jovem tem acesso a muita informação. Com isso, ele é muito exigente e criterioso ao escolher um processo que irá participar”, diz.

Então, com essas premissas em mente, vamos às principais dúvidas sobre estágio? 

1.Por que não consigo estágio?

Acredite, segundo Nathália, muitas vezes o gargalo não está no aluno em busca de estágio, mas, sim, na própria universidade. “Muitas têm prazos longos para assinatura de contrato de estágio”, explica. Além disso, os horários de aula em período vespertino ou matutino também dificultam a contratação, já que a maioria dos contratos de estágio pede por seis horas de trabalho diárias, durante a semana. 

2.O que eu preciso ter para ser contratado como estagiário?

As empresas sabem que os estagiários ainda estão em período de aprendizado. Por isso, Nathália explica que o que elas procuram é alguém que tenha um interesse genuíno em aprender e se desenvolver. “Ser curioso e buscar informações é fundamental”, continua a profissional.

3.Onde procurar estágio? 

“No Infojobs, encontra-se diversas vagas de estágio divulgadas diariamente, e existem também sites especializados em divulgação destas vagas”, comenta Nathália. “Outra ótima fonte, que muitos jovens esquecem de recorrer são as centrais de estágio dentro da própria universidade. Grande parte das empresas, ao abrir uma vaga, faz a divulgação dentro das universidades da sua região”.

Vale lembrar que aqui no PraCarreiras nós também temos uma página de divulgação de processos seletivos e vagas de estágio. Basta conferir!

4.Quando começar a estagiar?

Para Nathália, a partir do momento que você entra na universidade, já pode estagiar. Isso porque, durante as aulas, você aprende a teoria, mas desempenha a prática através do estágio. E é isso que agrega ao seu conhecimento.

Porém, é importante lembrar que os estudos são a prioridade nesse momento. O estágio é uma forma de você conhecer como a própria profissão funciona na prática. 

5.Todo estágio é remunerado? Quando o estágio deve ser pago? 

Não necessariamente. Atualmente, vemos dois tipos de estágio no mercado, o obrigatório e o remunerado. Alguns cursos, principalmente da área da saúde, como educação física, exigem que o aluno realize estágio em alguns segmentos. Esses trabalhos, geralmente, são feitos em locais parceiros ou conveniados da própria universidade, de forma que não são remunerados.

A remuneração acontece no caso de programas de estágio desenvolvidos por empresas. “Alguns alunos conseguem utilizar o seu estágio remunerado como horas para o estágio obrigatório da universidade, é tudo uma questão de negociação com a universidade e empresa”, pondera a especialista.

6.Afinal, qual o objetivo de um estágio?

Se você não sabe o que é um estágio, agora é o momento de entendê-lo de uma vez por todas. “O principal objetivo é o aprendizado na prática”, diz Nathália.”É o momento do jovem conhecer as áreas nas quais tem interesse, entender e experimentar estilos de empresas e culturas, para definir o início da sua carreira”.

Ou seja, a fase de estágio é perfeita para você explorar as opções disponíveis. É o momento de buscar treinamento em diversas áreas da profissão e entender onde você mais gostaria de atuar, antes de dar o passo decisivo para começar a sua carreira .

PCD Emprego: feira de vagas acontece em todo país

Direto ao ponto, PCD, ou profissionais com deficiência, poderão aumentar suas chances no mercado de trabalho com seis feiras de emprego para PCD.

Pois bem, a iniciativa é da Cia Hering, franquia de vestuário, que com o programa Plurais, destaca a importância da diversidade e inclusão no mercado de trabalho. Portanto, profissionais com deficiência poderão ter a oportunidade de trabalhar nas unidades administrativas e industriais, além das lojas multimarcas da empresa.

Pois bem, se você é um PCD e busca um novo emprego, não deixe de participar dessa feira.

PCD Emprego: prepare-se para o evento

Bem, o objetivo do evento é atrair profissionais com deficiência, que tenham acima de 18 anos, com ou sem experiência. Ao participar do evento, os candidatos já participarão de um processo seletivo. Portanto, prepare-se para preencher fichas e, se for o caso, participar de entrevistas de emprego.

Por isso, não deixe de atualizar o seu currículo e se preparar para uma entrevista de emprego. E lembre-se, aqui no PraCarreiras você tem matérias específicas sobre currículo, entrevistas, Linkedin e dicas de comportamento no processo seletivo.

Se possível, simule uma entrevista com as principais perguntas feitas. Por exemplo: “me fale mais sobre você”, “por que você gostaria de trabalhar na Cia. Hering?”, “quais são suas principais qualidades e pontos de melhoria?”. Só dessa forma, você conseguirá dar as melhores respostas e, com isso, aumentar suas chances de conseguir um emprego específico para PCD.

Portanto, a dica mais valiosa que podemos dar aos profissionais é resumida em uma palavra: preparação. Isso porque, um dos erros mais comuns dos candidatos é ir para um processo seletivo sem planejar suas repostas. Além disso, muitos perdem a oportunidade de uma entrevista apenas porque não conseguiram criar um bom currículo.

Como será o evento

Pois bem, os PCDs em busca de um novo emprego serão recebidos por um profissional de RH da Cia Hering. Nesse momento, os candidatos vão conhecer mais sobre a empresa e as vagas PCD em aberto.

No final, quem tiver o perfil buscado pela empresa será entrevistado. E, os aprovados, vão passar para a última etapa do processo seletivo.

Então, em menos de uma hora os PCDs passaram por um processo seletivo e receberão um feedback na hora.

Pois bem, anote aí, as feiras acontecem em todo o Brasil e começam no dia 27 de agosto em Anápolis, Goiás. E, em setembro, a empresa segue para as regiões Nordeste e Sul.

Então, veja a agenda:

DataLocalHorário
27/08Cia. Hering Anápolis13h às 18h
28/08Cia. Hering  Goianésia09h às 15h
29/08Cia. Hering São Luís dos Montes Belos13h às 18h
30/08Cia. Hering Paraúna09h às 15h
11/09Cia. Hering Parnamirim09h às 15h
21/09SESI Blumenau09h às 15h

Além disso, não deixe de acompanhar nossa planilha de vagas de emprego. E, fique atento, todos os dias subimos novas oportunidades em todo o país e em diversas áreas. Veja aqui.

Vagas de Estágio: confira programas e vagas em aberto

Ei, você é um estudante universitário e está ansioso para iniciar a sua carreira? Então, fique atendo às vagas de estágio em aberto. Esse é um bom período para quem sonha em ingressar em um programa de estágio também. Isso porque muitos programas estão com inscrições aberto.

Bem, o primeiro passo para iniciar sua vida no mercado de trabalho é estudar sobre você. Isso mesmo, o ideal é que você saiba quem você é para entender qual tipo de empresa e área faria sentido para o seu perfil.

Por isso, se você tem um perfil mais flexível e adaptável, certamente gostará de trabalhar em uma startup. Porém, se seu perfil é mais tradicional, uma empresa grande e bem estruturada faz mais sentido.

Além disso, dentro da sua profissão existem diversas áreas para você atuar. Você pode começar com aquela que mais chama a sua atenção na faculdade e depois migrar para outras para deixar sua experiência mais completa.

Outra dica super importante é ler sobre as empresas. Estude as empresas que estão oferecendo um estágio e veja se você se encaixaria nelas. O ritmo frenético do varejo combina com você? Ótimo, então busque oportunidades em empresas desse setor. O que você mais ama é tecnologia? Bem, existem boas vagas de estágio em empresas tecnológicas.

Vamos para mais alguns pontos importantes antes de divulgarmos as vagas de estágio abertas.

Vagas de Estágio: preste atenção no seu currículo

Bom, agora que você já se conhece um pouco mais e sabe quais tipos de empresa gostaria de trabalhar, está na hora de cuidar do seu currículo. Lembre-se, ter um bom currículo é essencial para você conseguir seu primeiro estágio.

Aqui no PraCarreiras temos uma editoria específica de currículo. Nela, você encontra dicas específicas com entrevistas feitas com os próprios recrutadores. Confira aqui.

Além disso, criamos o e-book grátis Como Montar um Currículo e o disponibilizamos gratuitamente para todos que acompanham o PraCarreiras. Por isso, você não tem desculpas de não saber como montar um currículo de estágio!

Por fim, lembre-se de algo importante. Se você for participar de um programa de estágio, então prepare-se para várias etapas. Currículo, provas, dinâmica de grupo, entrevista entre outras. Mas não se preocupe, aqui no PraCarreiras você encontra suporte para todas essas etapas. Basta acompanhar nosso conteúdo sobre Plano de Carreira.

Nós também disponibilizamos Vagas de Emprego grátis todos os dias. Veja mais aqui.

Então, vamos para as vagas de estágio em aberto:

Vagas de Estágio

Amazon

Uma das maiores varejistas e empresas tecnológicas, está com o seu programa de estágio aberto. Você encontra mais detalhes aqui.

Lojas Americanas

Ainda no ramo varejista, outra grande com vagas em aberto é o das Lojas Americanas. Se o seu perfil é agressivo e focado em resultados, então esse programa pode ser o diferencial na sua carreira. Mais detalhes aqui.

Uber

Em constante crescimento, trabalhar na Uber pode ser o sonho de muitos profissionais. Então, veja se você tem o perfil aqui.

Estágio e Trainee

Se você está para se formar, então pode ser que uma vaga de trainee seja mais indicada. N Mobile tem diversas vagas de estágio e trainee. Por isso, vale a pena conferir cada uma delas e se você tem o perfil nesse link. O Grupo Boticário também oferece os dois programas.

Bancos e Seguros

Dois bancos estão com vagas de estágio em aberto: Itau e Citibank. Além disso, a Liberty Seguros também está com seu programa aberto.

Oportunidades espalhadas pelo Brasil

Se você não mora em São Paulo, então fique atento para oportunidades de estágios com atuações em vários estados do Brasil. Uma das empresas nesse quesito é a ArcelorMittal, a outra é a Saphyr e, por fim, a Eaton.

Empresas grandes

Você também encontra oportunidades de estágio em empresas grandes como a Nestlé, a Oi, Saint Goban, Whirlpool, e RB.

Bom, agora é se preparar para seus programas para dar o seu melhor e conquistar a sua vaga. Boa sorte!

Profissional de RH: de olho no futuro

Desde que a tecnologia transformou a maneira como quase todos nós trabalhamos, o profissional de RH ganhou uma grande aliada em sua principal – e mais complexa – tarefa. “Com a automação e a tecnologia certa é possível reduzir muito o tempo do processo seletivo e trazer muito mais assertividade”, explica Mônica Hauck, CEO da Solides, uma empresa especializada em software para identificação de perfis comportamentais. A ferramenta é utilizada por profissionais de RH, coaches e educadores em processos de contratação, gestão e desenvolvimento de pessoas. “Se reduz drasticamente a leitura daquele monte de currículos, as dinâmicas, as entrevistas, porque a nossa tecnologia entrega velocidade e assertividade juntas”, completa.

Nessa entrevista, Mônica fala sobre os principais desafios que o profissional de RH terá daqui para frente e como se preparar para o futuro da profissão. Além disso, diz como as empresas devem se comportar para atrair os melhores talentos e quais as novas tendências de recrutamento. “Nós entramos, definitivamente, em uma era em que todos os setores das empresas vão ser geridos por dados. […] Não tem mais como o RH ficar de fora de uma gestão mais estruturada, focada em dados, especialmente a automação”.

Quanto ganha um gestor de RH? A média salarial desse profissional é R$ 5.333 por mês (Fonte: Glassdoor)

PC: Você é formada em História, certo? Como surgiu o seu interesse pela gestão de pessoas?

Eu sempre gostei muito de áreas ligadas a psicologia, sociologia e antropologia e, dos cursos que eu pesquisei, História foi o que mais me proporcionaria contato com esses conhecimentos. Na época, eu não sabia, mas isso me ajudaria muito com a gestão de pessoas. Principalmente a observar o comportamento das pessoas de forma coletiva. Então, quando penso em comportamento humano nas empresas, o olhar de historiadora me ajuda muito, no sentido de tentar encontrar padrões, de entender comportamentos coletivos.

PC: Então, hoje você consegue utilizar a sua formação em história na gestão de pessoas. É interessante como essas duas profissões podem se relacionar e a gente nem imagina.

Sim. Uso demais. Eu nunca tentei ser professora de História. O que eu procurei na faculdade está muito próximo da sociologia e da antropologia. São ciências que contribuem muito para a gestão de pessoas. Quando vou falar de cultura, de gestão, trago bastante conhecimento das ciências humanas de forma geral. O profissional padrão de RH geralmente é formado em psicologia, administração… A psicologia trata do indivíduo, e eu trago o olhar do coletivo, do comportamento desse indivíduo na coletividade.

PC: Como a ideia da Solides surgiu na sua trajetória?

Na verdade, eu já tinha uma empresa de tecnologia. O meu primeiro negócio de tecnologia não foi na área de RH. Eu tinha uma empresa que desenvolvia softwares para agronegócios. Mas, a partir de um gosto pessoal, meu sócio e eu começamos a pesquisar o comportamento humano. Essa pesquisa, que começou como uma curiosidade, virou paixão e, quando nos demos conta, tínhamos desenvolvido uma ferramenta de mapeamento comportamental, com 97,7% de acurácia.

Quando nós a mostramos para o mercado, descobrimos que tínhamos um negócio na mão. Foi quando começamos a trabalhar com a gestão de pessoas. Imediatamente começamos a conversar com profissionais de RH e foi paixão à primeira vista. Alguns anos depois, tive que optar, porque quando me dei conta, estava colocando meu foco todo nessa área de gestão de pessoas. Decidi não continuar com o agronegócio.

PC: E você chegou a direcionar a sua formação para essa área?

Entrei na gestão de pessoas graças à ferramenta de mapeamento comportamental que nós desenvolvemos. Isso é muito legal, porque essa entrada não convencional nos deu um olhar não convencional também. Então, eu nunca tive os vícios que, às vezes, um profissional clássico de gestão de pessoas tem. Nós conseguimos entrar nesse mercado com uma visão diferente. Tínhamos o background de tecnologia, mas tudo o que começamos a aprender sobre gestão de pessoas nos fez criar algo com um padrão diferente do que existia no mercado.

PC: Tenho notado que muitos profissionais acabam direcionando suas carreiras para áreas diferentes de suas formações. Você acredita que é uma tendência?

Acredito que é uma tendência e acho isso muito rico. Hoje, cada vez mais, as empresas têm percebido as vantagens de ter um time multidisciplinar. E, se você está em um ambiente em que é preciso pensar diferente para trazer soluções diferentes, precisa de um olhar não convencional. Então, trazer pessoas com outros conhecimentos, outros backgrounds é muito interessante. A forma como nós estamos absorvendo conteúdo e como temos nos formado profissionalmente tem mudado muito. Hoje em dia, dentro das carreiras, tem uma camada de especialização, mas também tem uma camada de conhecimento genérico. Então, cada vez mais, vamos ter, em um mesmo ambiente, pessoas de formações distintas tentando resolver o mesmo problema.

PC: No caso da Solides, a tecnologia é uma aliada. Mas a tecnologia também traz desafios para a gestão de pessoas?

O desafio é muito maior na ausência da tecnologia. O grande desafio que eu percebo quando converso com os profissionais de RH é essa mudança de cultura, de mentalidade. Historicamente, até pouco tempo atrás, o trabalho do profissional de RH era muito manual, ele trabalhava com processos não automatizados, tinha uma forte questão de subjetividade, de feeling.

E, agora, nós entramos, definitivamente, em uma era em que todos os setores das empresas vão ser geridos por dados. O RH, o marketing, o financeiro… não tem mais como o RH ficar de fora de uma gestão mais estruturada, focada em dados, especialmente a automação. Então, a maior dificuldade é fazer a transição desse profissional que ficou tanto tempo trabalhando de forma não automatizada, sem padrões, e transportá-lo para esse novo RH, que é muito mais estratégico. A maior barreira que nós temos hoje é mesmo cultural.

“Um olhar voltado para o futuro vai fazer toda a diferença para o profissional de RH”

PC: Então, com o uso da tecnologia, o RH tornou-se muito mais preciso.

Nós temos casos aqui na Solides em que conseguimos reduzir em até 70% o tempo de um processo seletivo. É claro que isso varia de acordo com a forma como o RH conduz o processo, mas com a automação e a tecnologia certa é possível reduzir muito o tempo do processo seletivo e trazer muito mais assertividade. Então, se reduz drasticamente a leitura de currículos, dinâmicas, entrevistas, porque a nossa tecnologia entrega velocidade e assertividade juntas. Como nós trabalhamos mapeando os padrões comportamentais, e a maioria das demissões nas empresas acontecem por causa do comportamento, nós conseguimos colocar o que é mais importante na frente durante o processo seletivo, de forma automática e com um índice de precisão muito grande. Então a gente ajuda o RH a não errar.

PC: Quais serão, na sua opinião, os principais desafios que a área de recursos humanos terá no futuro? Como o profissional de RH deverá se preparar para essas mudanças?

Nós estamos no meio de uma revolução industrial, em que tudo o que puder ser automatizado vai ser. Vamos ter a criação de novas profissões e de novas habilidades que nós nem imaginamos que existem e tudo isso vai acontecer muito rápido. Então, nós vamos ter que aprender e desaprender muito rapidamente. E depois reaprender. Isso impacta diretamente na forma como o RH faz recrutamento e seleção, em como ele treina um time e até em como ele busca profissionais. Cada vez mais o conhecimento adquirido não virá de uma universidade, de forma padrão e tradicional. A tecnologia tem ajudado a trazer essa mudança. As pessoas têm passado menos tempo no ambiente de trabalho e o conhecimento que antes nos passavam para executarmos nossas funções tem mudado. Tudo mudou, então agora o RH precisa ser muito mais dinâmico, estratégico e inovador.

PC: A tecnologia não substitui o trabalho do profissional de RH. Assim, que características esse profissional deve ter para que seja o casamento perfeito com a tecnologia?

No nosso caso, a tecnologia potencializa o trabalho do RH. Mas, ao mesmo tempo, ela entrega uma infinidade de ofertas que impactam diretamente o dia a dia desse profissional. Acredito que os skills que o profissional de RH deve ter é essa capacidade de aprender e desaprender muito rapidamente e a capacidade de arriscar mais, testando novas práticas. Historicamente, o profissional de RH é muito tradicional. E acho que nessa nova economia, em que nós temos menos tempo e as coisas mudam mais depressa, faz sentido testar mais, arriscar mais, experimentar coisas novas e, principalmente, ter esse olhar de futuro.

Nós temos, até hoje, um padrão de aprendizado muito focado no passado, na experiência. E com a nova economia, faz sentido aprendermos mais com o futuro. E é estranho, afinal, como aprender com o futuro? Exatamente pensando nas práticas de um mundo que ainda está sendo construído. Observar tendências, mudanças de comportamento… Esse olhar mais voltado para o futuro vai fazer toda a diferença para o profissional de RH.

PC: Muitas empresas ainda não aderiram às novas formas de gerir seu capital humano e estão muito apegadas aos métodos antigos, de controle e rigidez. Você acredita que essa realidade está mudando?

Eu acredito que isso varia de acordo com os setores da economia em que se está inserido. Os setores mais tradicionais ainda vão ter um tempo para se adaptar, mas, invariavelmente, todas as empresas terão que se adaptar, se quiserem pegar os melhores talentos. O que acontece é que há uma disparidade muito grande: existe a ausência de talentos, e, paradoxalmente, uma taxa de desemprego altíssima no país. Então, se as empresas quiserem obter os melhores candidatos terão que desenvolver uma nova forma de gestão de pessoas.

Agora, as empresas não só escolhem, elas também são escolhidas. Todo mundo está conectado e a conectividade não abrange só uma camada da população: da classe A a classe E todo mundo está conectado pelo celular e pode pesquisar sobre a empresa, ver o que acha sobre ela. As novas gerações fazem seu próprio processo seletivo, são elas que escolhem onde querem trabalhar. Então, se você não tem as melhores práticas, os melhores padrões de gestão de pessoas, não será escolhido e não terá os melhores profissionais.

PC: Qual é, na sua opinião, o segredo para ser bem-sucedido em qualquer carreira?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares (risos). Vou dizer o que tem funcionado comigo. Existe um mantra, que é até um grande clichê, que diz “faça aquilo que ama”. E não tem vaga para todo mundo fazer o que ama. A conta não fecha. Na minha opinião, se você aprender a amar aquilo que faz, você cria uma relação diferente com o trabalho. Pensando até mesmo na minha própria história, nunca imaginei que um dia fosse empreender na área de tecnologia. Já trabalhei em bancos e tive outras experiências profissionais e nenhuma delas foi parte de uma construção de carreira padrão.

Mas uma coisa que eu observei foi que rapidamente eu aprendia o que estava fazendo e me apaixonava. E quando você se dispõe a se apaixonar pelo novo, que, às vezes, não é o que você planejou, sua relação com esse trabalho muda e, consequentemente, o resultado também. Eu não amava tecnologia, mas apareceu uma oportunidade, comecei a trabalhar e fiquei apaixonada. Então, em vez de procurar fazer o que você ama, procure amar o que você faz. Isso muda radicalmente a construção da carreira e abre a cabeça para várias coisas. O olhar muda, você descobre muitas coisas e começa a se relacionar de forma muito mais intensa com aquilo que você faz.

Saiba como melhorar seu currículo para as vagas de final de ano

Ainda dá tempo de conquistar uma oportunidade de...

O que é engenharia de software?

Um mercado em plena expansão e que carece de...

Engenheiro civil: a coragem de mudar

A inquietude fez com que Thiago Habacuque jamais...

Psicoterapeuta: comece pelo autoconhecimento

A responsabilidade de um psicoterapeuta vai...

Carreira militar: um sonho possível

Seguir carreira militar é o sonho de muitos...

Propaganda e marketing: mercado em transformação

Rodolfo Magliari é sócio-diretor da GIZ, uma...

Cursos online para deslanchar sua carreira [Em Breve]

A maior frustração dos profissionais em busca de...

Linkedin Brasil: 4 Erros dos candidados segundo o próprio Linkedin

Vocês pediram e nós atendemos. Fomos ao Linkedin...

O que é psicopedagogia? – sensibilidade é a chave

O que as emoções têm a ver com a aprendizagem? A...

Currículo para trainee: como montar o seu

Você está montando o seu currículo para trainee,...

A Democratização do Mercado de Trabalho começa com o Conteúdo Certo

Currículo: aprenda de uma vez por todas e veja como conseguir um emprego pode ser muito fácil

Saiba como melhorar seu currículo para as vagas de final de ano

Saiba como melhorar seu currículo para as vagas de final de ano

Ainda dá tempo de conquistar uma oportunidade de trabalho em 2019! Veja aqui como melhorar o currículo. O fim do ano está chegando. E com ele a oportunidade de conseguir uma das vagas de trabalho criadas especialmente para esse momento. Mas para aumentar as chances de...

5 dicas rápidas para atualizar o currículo ainda hoje

5 dicas rápidas para atualizar o currículo ainda hoje

Se você está em busca da tão sonhada recolocação profissional, com certeza vai precisar atualizar o currículo. Por mais que o seu CV precise de dedicação e cuidado, existem algumas coisas que você pode checar sempre para mantê-lo em dia.  1.Comece a atualizar o...

Currículo para trainee: como montar o seu

Currículo para trainee: como montar o seu

Você está montando o seu currículo para trainee, mas não sabe muito bem o que fazer? Calma, nós podemos ajudar. Caso você esteja planejando participar de um processo seletivo de trainee, este texto vai ajudar na construção do CV perfeito.  Mas, será que um...

Currículo ideal: como escolher seu tipo?

Currículo ideal: como escolher seu tipo?

O curriculum vitae que você usa quando está procurando estágio não funciona quando você já saiu da faculdade. E nem quando está mais avançado na carreira. Portanto, para cada fase da vida existe um tipo de currículo ideal, e é sobre isso que vamos conversar hoje. O...

LinkedIn te dá arrepios? Então, esse conteúdo é para você! Conseguir um emprego pelo LinkedIn é uma tendência. Portanto, não fique de fora

Como usar o LinkedIn para crescer profissionalmente

Como usar o LinkedIn para crescer profissionalmente

Muito já se falou sobre o uso do LinkedIn por aqui. Porém, uma coisa é certa: ele é muito mais do que uma rede social. Por isso, conversamos com Raquel Amaral, especialista na rede e em recolocação profissional, para saber como a página pode ajudar você a crescer...

ler mais
8 dicas para LinkedIn que você pode aplicar agora

8 dicas para LinkedIn que você pode aplicar agora

Por que você deveria seguir essas dicas para LinkedIn? A rede é incrível e não só pode, como deve fazer parte do seu dia a dia profissional. Seja para manter o networking ativo, seja para encontrar novas oportunidades de trabalho ou compartilhar conquistas, ela é uma...

ler mais

Afinal, como criar um plano de carreira? Saiba tudo, não apenas sobre o mercado de trabalho, mas também veja estratégias certeiras que vão te ajudar com seu novo emprego

5 soft skills para desenvolver em 2020

5 soft skills para desenvolver em 2020

2019 está chegando ao fim e 2020 já bate à nossa porta. O que esperar do novo ano e dessa nova década? Acima de tudo, as soft skills vão continuar como um destaque no mundo profissional, por isso, fique atento ao texto abaixo! Selecionamos algumas das principais soft...

Futuro do trabalho: como sobreviver à era da automação?

Futuro do trabalho: como sobreviver à era da automação?

O que será do futuro do trabalho? Com as máquinas e a inteligência artificial ganhando espaço, é comum a insegurança em relação aos próximos anos. Porém, essa também pode ser uma oportunidade de ouro. Tanto para demonstrar o seu valor como um profissional com soft...

Como lidar com um chefe autoritário?

Como lidar com um chefe autoritário?

Você certamente já teve – ou talvez ainda tenha – um superior totalmente indiferente às opiniões de seus colaboradores, grosseiro e difícil de argumentar. Poucas coisas são tão desestimulantes do que trabalhar com um chefe autoritário. E, embora as empresas, de modo...

Como criar uma rotina de trabalho saudável

Como criar uma rotina de trabalho saudável

Não é nenhuma novidade que estamos trabalhando cada vez mais. Porém, é fato que isso não significa que estamos sendo verdadeiramente produtivos e alcançando nossos objetivos. Por isso, é essencial criar uma rotina de trabalho saudável. Mesmo que você não esteja...

Guia de Profissões prático! Com ele, você poderá escolher sua profissão ou se inspirar com a história de profissionais de sucesso

como escolher profissão pedagogia

Carreira em Pedagogia

Você sabe o que é psicopedagogia?

empreendedorismo de propósito 

Carreira em Empreendedor

Empreendedorismo de propósito.

 profissional de rh

Carreira em RH

De olho no futuro

médico do trabalho

Carreira em Medicina do Trabalho

Profissão em Alta

mulher de cabelo preso e cachecol

Carreira em Marketing de Relacionamento

Ser líder é ser sua melhor versão

profissional com camisa e barba

Carreira em Medicina

Veterinária

Uma carreira versátio e promissora

Centenas de currículos enviados, mas nenhuma resposta? Então, está na hora de mudar a sua estratégia. Afinal, você não pode perder um emprego apenas por não saber como montar um currículo. As melhores dicas dos recrutadores reunidas nesse e-book grátis. Agora, você não tem mais desculpas para ter dúvidas de como conseguir um emprego com um bom currículo. Você vai, certamente, conseguir montar um ótimo currículo agora!