Pesquisa da WILL aponta melhorias na prática de ações que visam à equidade de gêneros nas empresas brasileiras

Equidade de gêneros

Mulheres na Liderança mostra que, apesar da melhoria, ainda há muito a ser feito para possibilitar condições de equidade de gênero.

Com igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no ambiente corporativo.

“De um ano para o outro as empresas aprimoraram as suas práticas em relação à equidade de gênero, avançando principalmente na contratação de mais mulheres para ocupar cargos de liderança”.

É o que apontam os resultados da pesquisa “Mulheres na Liderança” realizada pela WILL – Women in Leadership in Latin America, organização internacional sem fins lucrativos, com sede em São Paulo e conselhos consultivos em Nova Iorque, Miami, Washington, Bogotá e Londres. A pesquisa é feita anualmente , em parceria com o Valor Econômico, O Globo, Época Negócios e Marie Claire, com apoio do Instituto Ipsos, e está em sua terceira edição.

Ela revela que, no Brasil, 58% das empresas estão contratando mais mulheres para cargos de nível hierárquico mais elevado: 51% já contratam mais mulheres para cargos tradicionalmente ocupados por homens.

Equidade de gêneros: Neste ano

Neste ano, Schneider Electric do Brasil LTDA, Bristol Meyers Squibb, White Martins Gases Industriais, Zurich Santander Seguros e Previdência S.A, Sabin Medicina Diagnóstica e Sodexo do Brasil Comercial S.A voltaram a figurar no topo da lista das empresas mais bem avaliadas em relação ao ano passado.

No comparativo com 2019, a pesquisa revelou crescimento (56%, atualmente, contra 68%, no período anterior) das empresas que afirmam identificar lideranças formais para a promoção da equidade de gênero. Observou-se também aumento expressivo no tema da equidade de gênero como prioridade na agenda dos CEOs, com um acréscimo de 14% de um ano para o outro.

Ainda merece destaque o uso da linguagem inclusiva ao anunciar suas vagas, com um aumento de 15% em relação ao ano de 2019. Da mesma forma, houve um crescimento de 13% na divulgação interna das ações de estímulo à promoção de mulheres.

As métricas usadas para a ascensão de mulheres colaboradoras também ganharam relevância em 2020: 56% das empresas afirmaram monitorar o percurso de carreira das mulheres ao longo dos anos, sendo que em 2019, o número era de 43%. No ano passado, empresas como Braskem, Cargill Agrícola, Diageo, Robert Bosch, KPMG Auditores, Avon Cosméticos foram algumas das empresas que se destacaram na pesquisa.

Equidade de gêneros: Terceira edição da pesquisa

Esta é a terceira edição da pesquisa, realizada entre 19 de março a 24 de julho de 2020, e contou com a resposta de 163 grandes empresas que atuam no país, em diferentes setores, duas a menos do que em 2019, apenas.

O levantamento, que integra um estudo que identifica as melhores práticas e políticas que estimulam a equidade de gênero e promoção de mulheres na liderança das principais empresas do país, analisa aspectos pesquisados como políticas e práticas da empresa, processo de recrutamento, contratação e capacitação, conciliação entre trabalho, família e vida pessoal, interseccional idades de raça, orientação sexual e afetiva, identidade de gênero e deficiências e composição de gênero nos quadros de funcionários das empresas, em especial cargos de gestão e liderança.

Segundo a presidente da WILL, a advogada Silvia Fazio, todos os pontos da pesquisa apresentaram melhoria nos resultados quando comparados aos anos anteriores. “Os resultados são animadores, mas ainda há pontos que merecem atenção”, diz.

A pesquisa mostrou que as companhias ainda não conseguem coordenar questões de interseccionalidade em relação à mulher trans, ou acima de 50 anos, ou sobre mulher preta. Para Fazio, ‘estes tópicos se fazem extremamente importantes, sobretudo neste ano, com todos os movimentos sociais que observamos.

É possível ver que existe uma tendência de interesse maior das empresas nesta área. O que se espera é que, no ano que vem, a pesquisa já apresenta evolução no que diz respeito a esta discussão”, explica.

Equidade de gêneros: Em passos lentos nesse tema

“O Brasil ainda caminha a passos lentos no tema da equidade. Mas, já podemos observar as questões de gênero e diversidade caminharem rumo à evolução no contexto corporativo. Fica evidente o quanto as ações das empresas são importantes para mudar essa realidade, que ainda é discrepante em nosso país, ao colocar mais mulheres para ocuparem cargos de liderança e abrir o leque para as políticas de diversidade.

Hoje em dia, a transexualidade, por exemplo, já não é mais um debate de nicho, mas sim, de opinião pública. E, quanto mais essa tendência continuar perante os stakeholders, mais as empresas irão endereçar essa agenda dentro de suas realidades” explica Silvia Fazio, advogada e presidente da WILL.

Quando se refere às estratégias e estruturas das empresas, a pesquisa aponta que 66% das companhias têm a promoção da equidade de gênero na agenda dos CEOs de forma prioritária (52% em 2019), e que 68% das empresas identificam lideranças formais para a promoção da igualdade (56% em 2019).

Além disso, 88% possuem política que proíbe a discriminação em razão de gênero (87% em 2019), 78% fazem campanhas internas de conscientização para aumentar a compreensão sobre a importância da valorização da mulher (70% em 2019) e 68% estimulam a criação de grupos internos para reduzir preconceitos, desconstruir estereótipos e combater a discriminação (51% em 2019).

Dentre as empresas que responderam à pesquisa, 53% já possuem política formal de promoção da equidade de gênero, com metas claras e ações planejadas (41% em 2019).

Equidade de gêneros: Sobre o assédio moral e sexual

As questões sobre assédio moral ou sexual também são avaliadas na pesquisa:85% das empresas possuem processo de acompanhamento e feedback para as reclamações ou denúncias feitas pelo canal de ouvidoria ou relacionamento, enquanto 73% dão treinamentos sobre os tipos de condutas que podem ser considerados assédio moral e sexual, bem como discriminação de gênero.

Já no aspecto de recrutamento e seleção, 61% das empresas usam linguagem inclusiva para anunciar suas vagas, (‘os candidatos e as candidatas’, ou ‘os e as candidatas’); 76% apostam em meios para garantir a transparência em relação aos critérios utilizados no processo de seleção; 69% monitoram a proporção de homens e mulheres contratados; 75% possuem procedimentos formais e claros de aumento salarial; 87% realizam entrevistas de desligamento com colaboradoras que deixaram a empresa para saber quais foram os motivos da decisão.

Quando o assunto é a qualificação e incentivo à liderança feminina, 56% das companhias promovem o monitoramento a carreira das mulheres ao longo do tempo; 55% têm programas, espaço ou incentivo para momentos de compartilhamento de experiências entre as lideranças femininas e as colaboradoras mais jovens; 31% dão treinamentos de desenvolvimento de habilidades de liderança específico para mulheres, e 40% têm metas que visam o equilíbrio no número de homens e mulheres na diretoria (ou vice- presidência).

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal também foi avaliado e aponta que 74% facilitam o acompanhamento da saúde dos filhos, 70% oferecem auxílio creche ou de instalações para o cuidado de crianças de 4 meses a 6 anos de idade, 69% concedem licença-adoção aos colaboradores, e 67% das companhias aderem ao Programa Empresa Cidadã, que estende o período de licença-maternidade e paternidade, em 60 e 15 dias, 180 e 20 dias, respectivamente.

Equidade de gêneros: Mulheres e interseccionalidades

Na questão ‘mulheres e interseccionalidades’ a pesquisa mostra que 69% das empresas seguem políticas similares para todas as mulheres, e que apenas 28% possuem política para não branca,26% possuem políticas para mulheres com deficiência, 26% delas adotam políticas para mulheres não-heterossexuais; 23% têm política para mulheres trans.

Entretanto, quando o assunto é a questão da idade, apenas 14% têm política para mulheres acima de 50 anos.

Já na atuação externa, na qual verifica se as empresas assumem o compromisso oficial em prol da equidade de gênero promovendo engajamento do público externo e dos stakeholders, a pesquisa revela que 70% da liderança das companhias se posicionam publicamente acerca de questões de equidade de gênero e valorização da diversidade, 55% participam de comitês externos que promovem políticas de equidade de gênero, 56% tornaram suas propagandas e peças publicitárias mais respeitosas à equidade de gênero.

Além disso, 31% afirmam ter uma política de rescisão de vínculo com fornecedores que cometem violações à equidade de gênero ou direitos básicos das mulheres.

Confira as empresas que mais incentivam o crescimento das mulheres:

Equidade de gêneros: Sobre a pesquisa

O levantamento, realizado pela Ipsos em parceria com a Will e o Valor Econômico, é o mais amplo estudo sobre práticas corporativas de equidade de gênero do Brasil.

A pesquisa avalia empresas de médio e grande portes, segundo o critério do SEBRAE, nas seguintes áreas de atuação: a) Comércio e Serviços, sendo necessário a quantidade mínima de 100 funcionários; e b) Indústria, sendo necessária a quantidade mínima de 500 funcionários.

Equidade de gêneros: Sobre a Will

Women in Leadership in Latin America – é uma organização internacional sem fins lucrativos, com sede em São Paulo e conselhos consultivos em Nova Iorque, Miami, Washington, Bogotá e Londres.

O objetivo da organização é apoiar e promover o desenvolvimento de carreira das mulheres na América Latina, reconhecendo suas habilidades e competências, além de estimular as empresas sediadas na América Latina a implementarem programas relacionados com as mulheres e negócios, promovendo o intercâmbio das melhores práticas entre as organizações nacionais e internacionais.

Leia também – Diversidade e Inclusão na agenda das organizações: a importância da estruturação do processo.

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