Você começou um trabalho novo e ainda está se adaptando à cultura da empresa. Mas já percebeu que está cercado de pessoas metódicas. Como lidar? E mais. O que fazer quando você está cercado de pessoas que só pensam em processos e não estão abertos ao novo?

O PraCarreiras conversou com Luciano Salamacha, doutor em Administração, professor da FGV de São Paulo e coordenador de MBA de neurociências na ESIC Internacional. Nesse bate papo vamos entender como tornar o ambiente de trabalho mais harmônico. Mesmo quando a equipe está fechada em metodologias.

Pessoas metódicas no trabalho: como lidar?

“O perfil de uma pessoa metódica é justamente o de uma pessoa que para cada tarefa que realiza no seu dia a dia, necessita da existência de um método pré-definido”, explica o Luciano.

Ou seja, esse é o tipo de pessoa que se sente bem quando utiliza processos para executar o trabalho. Com protocolos e outras regras determinadas. Uma pessoa não metódica, ao contrário, se sente cerceada, sem liberdade, quando se vê numa mesma situação.

Todo trabalho possui funções que dependem de métodos. Mas é diferente usar esses processos como facilitadores do dia a dia. E basear a sua vida neles. Por isso, é importante saber, primeiro, qual profissional você é (metódico ou não metódico). E entender que você vai precisar se adaptar à algumas metodologias na nova empresa. Mas isso não significa se tornar escravo deles.

É importante entender o momento certo

Segundo o professor, o principal é entender a hora de inovar. Isto é, de deixar os processos de lado para investir em um novo formato, que mude a rotina da equipe. A diferença entre a inovação e a manutenção de um processo tem tudo a ver com a relação entre o esforço e o resultado que envolvem uma tarefa cotidiana.

“Quando uma empresa já dispõe de um método existente cujo esforço é compatível com o resultado a ser obtido, torna-se desnecessário iniciar um processo de inovação. Uma vez que, a cada movimento de inovação, tem-se um custo adicional e também uma curva de aprendizagem a ser respeitada”, diz ele.

Traduzindo. Se a empresa busca um resultado e os processos utilizados já atingiram esse resultado, sem esforço extra, então não tem porquê buscar mudança. Já que mudar implica em custos, tempo de aprendizagem e adaptação da equipe ao novo.

Luciano continua. “De outro lado, quando há um método cujo custo não é compatível com o benefício a ser atingido, ou quando esse método não auxilia atingir os resultados esperados, fica evidente a necessidade de implementar um processo de inovação”.

Como incentivar mudanças no ambiente de trabalho?

Vamos supor que você está cercado de pessoas muito metódicas e 100% dependentes dos processos da empresa. Como saber a hora de sugerir algo diferente?

De acordo com o professor, o primeiro passo é entender o tipo de inovação que a empresa precisa e se ela é realmente necessária.

Existem dois tipos de inovação:

  • Incremental: o conhecimento é aplicado para alcançar melhorias em produtos, serviços ou metodologias da própria empresa.
  • Radical: caracteriza uma ruptura entre o que é existente até o momento e o que pode ser feito a partir da inovação.

Entendido isso, vem o segundo passo. A sua sugestão de mudança tem uma justificativa baseada em melhorias de resultados, qualidade do trabalho ou valor de empresa? Caso sim, então a inovação pode ser uma sugestão válida para aquele momento da empresa.

Caso contrário, vale a pena rever se o seu perfil profissional não é o de uma pessoa não metódica que se sente limitada pelos processos. E, talvez, seja interessante procurar outra profissão que não seja tão focada em processos.

Aliás, sentir ansiedade ao sugerir e implementar mudanças é um sinal de um perfil não metódico. Isso porque a sua necessidade é de uma função mais flexível e menos engessada.

Mas como trabalhar com pessoas muito metódicas?

Pois bem, os primeiros passos nós já demos. Entender qual tipo de profissional você é e como você se sente diante dos métodos. Entenda: as pessoas não mudam a forma como trabalham só porque você quer. Ainda mais sem uma justificativa forte do porque isso deve acontecer.

Além disso, é preciso paciência. “Quando uma pessoa identifica que o melhor modus operandi para se obter uma determinada alteração de um processo ou produto requer um certo tempo para que apresente a melhor performance, qualquer tipo de ansiedade deve ser substituída por paciência, que costuma ser a grande irmã da sabedoria”, explica Luciano.

Além disso, também é importante dominar alguns pontos antes de sugerir mudanças. Mas que facilitam o dia a dia cercado de pessoas tão ligada aos processos:

  1. Comece pequeno: ao invés de sugerir grandes mudanças de cara, comece com coisas pequenas que promovam o bem-estar de todos. Mas que não mexam de forma tão efetiva com os pilares vigentes.
  2. Conquiste autoridade: quer sugerir inovações? Antes de mais nada, domine os processos que estão sendo utilizados agora. Seja um vencedor em cada um deles. Entenda bem como funcionam e de que forma podem ser melhorados.
  3. Compreenda a sua equipe: de novo, antes de impor mudanças, entenda a forma como as pessoas ao seu redor trabalham. De que forma os processos são importantes para elas, como funcionam e porque são tão adeptas dessas metodologias.
  4. Entenda que não é pessoal: mexer com bases sólidas e processos bem determinados pode deixar as pessoas desconfortáveis e colocá-las numa posição de ataque. Seja compreensivo, paciente e ouça.  

Ou seja, as soft skills são importantíssimas para você entender o ambiente em que está inserido. E saber de que forma pode ajudar a empresa e os seus colegas de trabalho atingirem resultados melhores, garantindo o sucesso de todos!