Área financeira: como é essa carreira e como ela está no mercado

Aos 17 anos, Afonso Navarro tinha sonhos como qualquer jovem da sua época. Assim, ele queria ter o celular da moda, frequentar bons lugares, comprar roupas de marca e, claro, ter um bom salário. Mas, por não ter nascido em berço de ouro, o jovem sabia que o caminho seria mais tortuoso. Hoje, ele compartilha com o PraCarreiras como é a área financeira e como ele conseguiu construir uma carreira sólida.

Mas, em vez de manter-se em devaneios, ele tornou sua ficção uma meta e buscou soluções práticas para chegar onde queria.

Era preciso trabalho e muito esforço, e ele estava disposto a encarar.

Hoje, o especialista de Planejamento Financeiro de um grande grupo farmacêutico se denomina feliz com sua carreira, mesmo quando a carga horária de trabalho é mais extensa.

PC: Por que você escolheu a área financeira?

Bom , eu sempre senti a necessidade de trabalhar, por isso, procurei meu primeiro emprego aos 17 anos.

Então, trabalhei em uma loja de roupas na parte administrativa, comecei com cobrança de boletos atrasados e depois incorporei outras áreas.

Com o tempo, percebi que só trabalhar não me levaria a ter tudo que eu queria.

Eu admirava dois primos meus que tinham o celular da moda e usavam roupas legais.

Os dois fizeram faculdade e trabalhavam no Citibank. Foi aí, que eu decidi fazer uma graduação de ciências contábeis e inclui um curso de inglês também.

PC: E quando você conseguiu o seu primeiro estágio naárea financeira?

Por coincidência, com pouco tempo de faculdade surgiu uma oportunidade justamente no Citibank, que era o único banco que eu queria na época.

O processo seletivo foi bem concorrido e tinham candidatos com faculdades melhores que a minha. E, isso me deixou um pouco inseguro.

No entanto, o grande diferencial para eu ter conseguido o estágio foi eu já ter tido experiência profissional.

O Citibank passou alguns cases para serem solucionados e, como eu já tinha conhecimento prático, foi fácil passar essa etapa.

Por isso, os recrutadores adoraram as minhas respostas e o meu perfil e eu finalmente consegui o emprego que eu sonhava.

Passei de uma empresa pequena de 20 funcionários para uma empresa enorme no meio da Paulista.

PC: Como foi sua experiência no banco?

Fiquei sete anos no Citibank e passei por diversas áreas, desde Balanço Financeiro até Planejamento Jurídico.

Minha gestora na época me ajudou muito, ela separou um horário a cada 15 dias para conversar comigo e me ajudar com as minhas dúvidas.

Em 2009, veio a crise nos EUA e todas as áreas foram congeladas bem na época da minha efetivação.

Então, tive uma conversa com minha chefe e mostrei meu interesse em crescer no banco e isso aconteceu.

Foi um momento de alegria. Uns anos depois, mudei para a área de Compliance, que é um setor mais sério.

Lá fazíamos controles internos e preparação para as auditorias. Tive um pouco de dificuldade por ser uma área mais fria e séria e isso fugia um pouco do meu perfil.

Minha gerente tinha sido promovida a superintendente jurídica do Citibank e me levou para trabalhar com ela, área que eu me identifiquei mais.

PC: Você saiu do banco e hoje trabalha naárea financeira em um grande grupo farmacêutico. Quais são as principais diferenças de atuar nessa área em um banco e em uma empresa?

Banco e empresa são bem diferentes. Banco tem todos os processos muito controlados, existe muita negociação e o fluxo de caixa é grande.

No varejo, principalmente os de capital fechado, todas as informações financeiras precisam ser reportadas aos sócios e, por conta do fluxo de caixa, grandes mudanças são mais restritas.

Os processos, em empresas, são menos burocráticos, mais dinâmicos e agressivos – tem que ter sangue nos olhos.

As metas nos bancos são grandes, a competitividade é mais estimulada e o resultado deve ser alcançado a qualquer custo. Nas empresas existe um clima mais colaborativo.

PC: Como é a rotina de um profissional da área financeira?

Hoje, eu tenho a responsabilidade de atender o maior diretor de Recursos Humanos, Engenharia e Expansão da empresa.

Faço a ponte entre a área dele e todas as outras áreas, acompanho o orçamento e projeção orçamentária do setor e sou um dos responsáveis pelo fechamento financeiro também.

Essas são atribuições comuns de um profissional da área financeira. Tem que participar de muitas reuniões, entender como as áreas estão indo e apresentar resultados sempre.

Todos os meses temos fechamentos e projeções para o próximo mês. Lidamos muito com números e relacionamento com áreas.

PC: O que um profissional dessa área precisa para ser bem-sucedido?

O diferencial está no relacionamento, porque é isso que vai aliar sua habilidade técnica ao business. Ao longo da minha carreira, percebi que profissionais que só focavam em números não cresciam.

É importante saber apresentar os números, se relacionar com as áreas, fazer as pessoas se relacionarem e organizar os processos.

Outro ponto muito importante é saber trabalhar em time, e essa qualidade está cada vez mais rara no mercado.

Tem que estudar bastante, fazer cursos e entender do segmento em que você está trabalhando.

Para quem está buscando uma oportunidade na área financeira, está sendo muito valorizado quem sabe lidar com situações problema e isso está sendo avaliado inclusive nos processos seletivos.

PC: Quais habilidades técnicas são necessárias para a área financeira?

É importante ser bom em matemática, mas se você souber usar a HP e o Excel, tudo fica mais fácil.

O raciocínio lógico, Acess, excel, SAS e Oracle são conhecimentos essenciais para quem ingressa nessa área.

E se engana quem acha que não precisa saber bem o português. Como temos muitas apresentações e reuniões, essa habilidade também é importante.

PC: Você disse que participa de muitas reuniões com diretores e outras áreas e faz apresentações. Como driblar a timidez nesses casos?

É tudo questão de prática. Inicialmente, você fica nervoso, gagueja, a boca seca, mas não pode deixar esses contratempos te abalarem.

No começo eu tossia muito e ficava com a voz tremida e isso tiro um pouco da convicção daquilo que você está falando.

O que eu fiz foi me oferecer para apresentar em reuniões sempre que era possível e, com o tempo, a timidez foi sumindo.

Outro ponto que ajuda na segurança na hora de fazer uma apresentação é estar muito preparado no assunto abordado.

PC: Do que você mais gosta na área de finanças?

Sem dúvida, das discussões que costumamos ter. Gosto de discutir números e mapear ações estratégicas para a empresa, além de criar um plano de ação.

A área financeira tem um peso importante na mudança estratégica das empresas, podemos aprovar ou reprovar investimentos caso não esteja alinhado com o plano de negócio.

PC: E do que você menos gosta na sua rotina de trabalho?

O que eu menos gosto é a parte operacional. É uma atividade que não tem como fugir, puxar base, bater números, conferir dados.

De toda forma, essa é uma função muito importante pois ela é a base das nossas reuniões.

PC: A carga horária é pesada?

Sim. Tem épocas que eu trabalho das 8h às 22h, principalmente durante os fechamentos.

Por isso, ter dias com a carga horária pesada é comum na área de finanças. Em algumas empresas, ainda, tem que respeitar o horário e o calendário de outros países e isso impacta inclusive nos feriados.

No entanto, eu não me importo com horários mais pesados, desde que a equipe seja boa para trabalhar. Por isso, se o ambiente da empresa é bom e o clima colaborativo, eu nem sinto o peso da carga horária.

PC: O que é sucesso para você?

Sucesso é estar feliz profissionalmente e pessoalmente e ter a consciência tranquila de que você fez o melhor que poderia ser feito.

Sucesso profissional é quando você consegue fazer outras pessoas crescerem com você.

Eu me sentia muito feliz quando via um estagiário ou analista sendo promovido, isso é gratificante.

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