Profissional de RH: carreira em ascenção

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Formada em Administração de Empresas, Daisy Caraça seguiu a carreira em RH quase por acaso. Depois de trabalhar em uma agência bancária por dois anos, ela viu-se sem rumo em uma área tão ampla.

Felizmente, conseguiu emprego em uma consultoria de recursos humanos e começou a descobrir-se na área. Hoje ela é especialista de RH na Gi Group Brasil, uma multinacional italiana voltada para o desenvolvimento do mercado de trabalho.

Nesses 18 anos de atuação, Daisy assistiu às mudanças nesse mercado, que passou por transformações significativas e vem ganhando cada vez mais destaque nas organizações. Com a valorização cada vez maior do “capital humano” pelas empresas, a responsabilidade do setor de RH aumenta e, portanto, cresce seu valor estratégico.

“Hoje as empresas estão se voltando muito mais para a experiência do colaborador, compreendendo que é muito importante deixar marcas para que ele sinta orgulho de trabalhar na empresa”, explica a profissional.

Saiba mais sobre a trajetória de Daisy Caraça e sobre a profissão na entrevista a seguir.

 

PC: Qual é a sua história profissional? Como você começou a carreira em RH?

 

Eu fiz faculdade de administração de empresas e, na época, trabalhava em um banco. Quando terminei a faculdade, o banco me desligou e eu não sabia o que procurar, porque não tinha feito uma especialização.

Consegui um trabalho em uma consultoria de RH e lá fui conhecendo toda a parte de contratação de pessoas. Trabalhei dez anos lá, atendendo aos clientes.

Cuidava de folha de pagamento, fazia toda a validação, lançava os projetos dentro dos clientes e administrava toda a contratação, a operação, desenhava o projeto. Depois, vim para a Gi Group, para cuidar de admissões e de atendimento ao colaborador.

Foi um caminho natural, mas confesso que foi algo bem desafiador. Esse não é um trabalho rotineiro como muitas pessoas pensam, porque todo dia tem uma coisa nova.

Você não consegue planejar sua rotina perfeitamente, porque todo dia acontecem situações que os colaboradores trazem e que nós temos que correr atrás para resolver. É um trabalho que está sempre em movimento.

 

PC: O que você faz exatamente na Gi Group?

 

Eu sou responsável pelas melhorias de pacotes de benefícios dos colaboradores e pela remuneração total. Então, vejo a parte de cargos e salários, as políticas de variáveis, os acordos de PLR (participação nos lucros e resultados) com o sindicato, etc.

Por exemplo, nós fomos atrás de uma série de fornecedores para implantar benefícios na Gi Group recentemente – com o gympass, a sexta-feira curta durante o verão, o smartjob (sistema de home office).

E estamos sempre pensando em ações que trazem melhoria, não apenas financeira, mas que facilitam a vida do profissional, trazem bem-estar, etc.

 

PC: Você acredita que encontrou seu propósito? Como saber se a carreira em RH é para você?

 

Sim. Muitas vezes, no início da carreira em RH, eu me perguntei se estava no caminho certo. Mas quando comecei a ver os frutos do meu trabalho, que ele realmente tem um propósito, compreendi que realmente é isso.

Hoje eu me encontrei dentro dessa área do RH, que são os projetos. Muitas pessoas pensam que RH é apenas processamento de folha, mas o conceito mudou muito.

Se nós pensarmos em 20 anos atrás ou até menos, o RH era muito burocrático e se resumia em admissão, fechamento de folha, pagamento e demissão.

Hoje não. Há um leque de coisas para se fazer dentro dessa área: o desenvolvimento de pessoas, as melhorias nos benefícios – mesmo que não sejam financeiras, mas que tragam a sensação de pertencimento, de orgulho de trabalhar aqui.

Hoje eu consigo ver o meu crescimento profissional nessa área.

 

PC: Que características suas você acredita serem um bom “match” para a profissão de recursos humanos?

 

Eu sou muito família e me preocupo muito com os meus familiares. Quando você trabalha com RH, é preciso ter essa preocupação com as pessoas.

Então, eu acredito que essa característica de pegar o problema do outro e correr atrás para resolver, é da minha personalidade.

Assim como na minha casa eu estou sempre envolvida para ajudar as pessoas de alguma forma, mesmo que seja com um conselho, aqui na Gi isso também acontece.

 

PC: Qual foi, até hoje, sua maior conquista na carreira em RH?

 

Em 2018, durante a Convenção Nacional da empresa (evento que acontece todos os anos na Gi Group) eu fui reconhecida como destaque. Houve uma votação aberta para toda a empresa inteira com o objetivo de reconhecer quem se destacava por um bom atendimento. E na classificação, eu fiquei em primeiro lugar.

Isso aconteceu durante dois anos consecutivos. Nessa época, eu ainda fechava folha, fazia toda a parte de variáveis e benefícios. É muito bom perceber que as pessoas enxergam o seu trabalho.

Eu não tinha dimensão do quanto o meu trabalho impactava a vida das pessoas, então foi muito gratificante receber esse reconhecimento.

 

PC: Qual a importância do profissional de RH dentro das empresas hoje em dia?

 

Eu acredito que o RH é o coração de todas as empresas. Se ele não for estratégico e não tiver essa preocupação com o todo – tanto com o desenvolvimento humano quanto com as vendas – de contratar colaboradores que tenham o match cultural com a empresa, ela pode simplesmente acabar. Hoje, o papel do RH é muito importante, pois ele faz o link com todas as áreas: financeiro, contabilidade, controladoria, comercial, etc.

Eu entendo que é ele quem move as organizações como um todo. E, pelo que eu tenho lido, tudo volta para o RH. Recentemente, li uma notícia no LinkedIn sobre uma empresa que promoveu uma colaboradora que estava gestante. Há alguns anos, o mais comum era esperarem a mulher voltar da licença maternidade e a demitirem.

Por aí nós vemos o impacto que o RH causa, porque isso “bombou” nas mídias sociais como um case de sucesso. Hoje as empresas estão se voltando muito mais para a experiência do colaborador, compreendendo que é muito importante deixar marcas para que ele sinta orgulho de trabalhar na empresa.

 

PC: Quais são as características mais necessárias para seguir a carreira em RH?

 

Na minha opinião, é preciso saber um pouco de tudo. Antigamente, se o profissional sabia fechar folha, ele seria cobrado apenas por isso. Hoje em dia, é preciso saber fazer negociações, agir em situações mais delicadas. E, principalmente, é importante que o seu propósito esteja linkado com o da empresa.

 

PC: O que é sucesso para você?

Uma pessoa bem sucedida é aquela que faz seu trabalho com amor, se dedica e se sente realizada com o que faz. E, no final, ela tem a recompensa, não apenas financeira, mas muitas vezes, de apenas colher os frutos do seu esforço. Hoje eu posso dizer que sou bem sucedida profissionalmente por enxergar meu crescimento dentro da empresa.